Fifa planeja vender participação de nova empresa; Uefa critica: 'A alma do futebol não está à venda'

Entidade quer criar empresa para administrar principais competições e ampliar repasses às confederações

Escrito por Liuê Góis liue.ribeiro@svm.com.br
28 de Julho de 2026 - 16:45 (Atualizado às 17:08)
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Legenda: Encontro de Donald Trump e Gianni Infantino
Foto: Jim Watson/AFP

A Fifa anunciou nesta terça-feira (28) um plano para criar uma nova empresa responsável pela gestão de suas principais competições, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. A ideia da entidade é vender uma participação minoritária do negócio a investidores privados para aumentar os investimentos no futebol mundial.

Batizada de Fifa Forward Enterprise (FFE), a empresa foi avaliada em US$ 20 bilhões (cerca de R$ 102,3 bilhões). A intenção da Fifa é comercializar uma fatia do empreendimento e arrecadar aproximadamente US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões).

Antes de sair do papel, no entanto, o projeto precisará ser aprovado pela maioria das 211 associações nacionais filiadas à entidade.

Segundo a Fifa, os recursos obtidos com a operação serão destinados ao aumento dos repasses feitos às confederações. Atualmente, cada associação recebe R$ 41 milhões. Em caso de aprovação, pensando no próximo ciclo da Copa do Mundo de 2030, esse valor pode alcançar R$ 102 milhões.

Uefa vê proposta com preocupação

A Uefa se posicionou de forma contrária ao projeto e classificou a iniciativa como um movimento perigoso para a governança do futebol. Em nota, a entidade europeia criticou a falta de transparência da proposta e afirmou que a Fifa não pode tratar o esporte como um ativo comercial.

“Isso cruza uma linha que as instituições governamentais do futebol nunca deveriam cruzar. A Uefa leva isso extremamente a sério. Toda Associação Nacional de Futebol também deveria. Todo stakeholder também: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e todos que se importam com o futuro do esporte. A alma e a governança do futebol não são ativos para negociar — especialmente com zero transparência quanto a quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo.”

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