Clubes de futebol e federações estaduais se mobilizaram contra a possibilidade de o governo federal proibir ou restringir as apostas esportivas no Brasil. Em reunião realizada na quinta-feira (17), dirigentes de diferentes estados e representantes de casas de apostas discutiram os possíveis impactos de uma eventual mudança na legislação.
A articulação resultou em um manifesto intitulado “O fim do futebol brasileiro”, no qual as entidades alertam para os efeitos econômicos que a interrupção do mercado regulamentado poderia provocar no esporte nacional.
Patrocínios podem sofrer impacto de R$ 1 bilhão
Um dos principais argumentos apresentados pelos clubes está relacionado à dependência financeira do futebol em relação ao setor de apostas. Segundo o manifesto, 13 clubes da Série A possuem contratos de patrocínio máster com empresas do segmento, movimentando aproximadamente R$ 1 bilhão em receitas de patrocínio.
Os dirigentes também apontam possíveis impactos indiretos sobre os direitos de transmissão. De acordo com a avaliação apresentada na reunião, a redução dos investimentos publicitários das casas de apostas poderia afetar a capacidade financeira das emissoras e, consequentemente, os valores destinados às competições.
A publicidade em placas e outros espaços dos estádios também está entre as fontes de receita que poderiam ser prejudicadas.
O conteúdo foi amplamente rechaçado por torcedores nas redes sociais, que acabaram ficando contra a posição dos clubes e das federações.
Clubes defendem manutenção do mercado regulamentado
Embora reconheçam os problemas sociais relacionados ao crescimento das apostas, os clubes defendem que o setor seja mantido sob regulamentação, com reforço da fiscalização e das políticas de prevenção.
A principal preocupação manifestada pelas entidades é que uma eventual proibição incentive a migração dos apostadores para plataformas clandestinas, que não recolhem impostos e não estão sujeitas aos mecanismos de controle previstos na legislação brasileira.
O manifesto destaca ainda que os investimentos das empresas de apostas não se concentram apenas nas equipes de maior expressão. Clubes do interior, divisões de acesso, categorias de base, futebol feminino e projetos sociais também são citados como áreas que dependem desses recursos.
Governo avalia mudanças nas apostas
A manifestação ocorre em meio às discussões do governo federal sobre possíveis restrições às apostas e aos jogos on-line. A iniciativa tem como justificativa o combate ao endividamento das famílias e aos problemas sociais associados ao jogo.
O debate envolve diferentes propostas, incluindo medidas contra modalidades de jogos on-line e alterações nas regras de publicidade e funcionamento das plataformas de apostas.
Enquanto o governo discute formas de reduzir os danos sociais provocados pelo setor, os clubes defendem que o caminho seja o aperfeiçoamento da regulamentação, e não a eliminação do mercado legalizado.
O manifesto termina com um apelo às autoridades para que o futebol participe da construção de soluções para o problema.
“O torcedor não pode pagar essa conta. Se acabar com o mercado regulado, as apostas não acabam. O futebol é quem acaba”, diz o documento.
