Enem 2026: Prova de Linguagens reforça interpretação textual e destaca tecnologia e cultura

Especialistas consideram que a prova teve nível médio e ressaltam questões sobre inteligência artificial, Lei Rouanet e diversidade cultural.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
08 de Novembro de 2026 - 18:15 (Atualizado às 18:17)
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Legenda: Na área de Linguagens a prova é composta por 45 questões que abrangem Língua Portuguesa, Literatura, Artes, Educação Física e Língua Estrangeira.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Neste primeiro domingo de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, os candidatos realizaram as avaliações de Linguagens e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, além da Redação.

Ao Diário do Nordeste, professores ressaltaram as questões de Linguagens e destacaram que a interpretação de textos permaneceu como uma das principais habilidades exigidas em uma prova marcada pela diversidade de temas e gêneros textuais. 

Segundo os especialistas do Sistema de Ensino COC, SAS Educação, GEEKIE Educação e Colégio e Sistema pH, a prova de Linguagens teve nível de dificuldade médio, com textos e alternativas considerados acessíveis. Apesar disso, algumas questões exigiam maior reflexão e conhecimentos específicos, especialmente nas áreas de Literatura e Artes.

Na área de Linguagens, a avaliação feita neste domingo é composta por 45 questões que abrangem Língua Portuguesa, Literatura, Artes, Educação Física e Língua Estrangeira (Inglês ou Espanhol).

Um dos pontos mais mencionados pelos professores foi a presença de temas relacionados às transformações tecnológicas e ao comportamento digital. Inteligência artificial (IA), uso de redes sociais, tempo de tela entre jovens e o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) apareceram em diferentes questões.

Outro destaque enfatizado por diversos professores foi a questão sobre a Lei Rouanet, apresentada por meio de um infográfico. O material exigia a interpretação de informações sobre os objetivos do mecanismo de incentivo à cultura, orçamento, projetos apoiados e participação de empresas e pessoas físicas.

Literatura e contexto histórico

Na Literatura, a prova apresentou autores de diferentes períodos e estilos, com destaque para José Lins do Rego, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles. Entre as obras abordadas estavam "Menino de Engenho", "A Paixão Segundo G.H." e o conto "Herbarium".

Um dos conjuntos de questões utilizou um trecho de "Menino de Engenho" como texto-base para cinco perguntas. Segundo a especialista em Linguagens do SAS Educação,  Isabela Araújo, as questões exploraram características do Romance de 1930 e aspectos estéticos e culturais do período.

A professora e autora de Linguagens do Colégio e Sistema pH, Tamires Marcello, também destacou a manutenção do modelo de questões associadas a um mesmo texto-base, mas observou uma mudança na abordagem em relação ao ano anterior.

"Houve a manutenção do texto maior com cinco questões associadas a ele. Desta vez, o texto-base foi um trecho de Menino de Engenho, de José Lins do Rego. No ano passado, as perguntas sobre esse texto foram mais voltadas para gênero, tipologia e estrutura textual; neste ano, houve um pouco mais de conteúdo".
Tamires Marcello
Professora

A prova também teve questões que exigiam relacionar produções artísticas e literárias aos contextos históricos em que foram produzidas. Entre os exemplos estão a comparação entre as músicas "O Bêbado e a Equilibrista" e "Tô Chegando", além de uma abordagem da peça "Calabar", de Chico Buarque e Ruy Guerra, relacionada ao contexto político da ditadura militar na década de 1970.

Diversidade cultural e inclusão

A valorização da diversidade cultural e linguística também apareceu em diferentes questões, conforme avaliação dos especialistas. Entre os exemplos apontados pelos professores estão abordagens sobre línguas indígenas, cultura amazônica, manifestações culturais do Pará e diferenças entre o português falado no Brasil, em Angola e em Portugal.

A inclusão foi tratada por meio de questões sobre expressões capacitistas incorporadas ao cotidiano.

O especialista em Linguagens da GEEKIE Educação, Fabio Gusmão, citou como exemplos as expressões "fazer-se de surdo" e "dar uma de João-sem-braço", que, destaca ele, levantam a discussão sobre a necessidade de rever o uso de determinadas construções linguísticas.

Além disso, a prova também contou com discussões sobre representatividade e questões raciais e de gênero, reforçando a presença de temas sociais na seleção dos textos.

O que os professores dizem sobre a dificuldade?

Apesar de considerarem a prova predominantemente de nível médio, os especialistas apontaram desafios específicos. Entre eles, estão a interpretação de poemas menos explícitos e a identificação de diferenças entre alternativas com afirmações semelhantes.

Tamires Marcello avalia que os textos eram tranquilos de ler, assim como a linguagem utilizada nas alternativas. No entanto, ela destaca que os distratores apresentavam afirmações que poderiam parecer corretas, mas não respondiam diretamente ao que a questão solicitava.

A professora também considera que as questões de Artes estavam mais complexas, especialmente pela presença de conceitos relacionados a movimentos e manifestações artísticas, como figurativismo, neoimpressionismo e neoconcretismo.

Já Isabela Araújo, especialista em Linguagens do SAS Educação, observa que algumas questões de Literatura exigiam conhecimentos mais específicos, embora a interpretação dos próprios textos também permitisse chegar às respostas.

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