Cripta da Catedral de Itapipoca recebe restos mortais de bispo emérito; entenda a tradição da igreja

O caixão de Dom Frei Antônio Roberto Cavuto foi colocado no chão do santuário antes de o religioso ser sepultado no santuário.

Escrito por Bergson Araujo Costa bergson.araujo@svm.com.br
09 de Outubro de 2026 - 07:00

A cripta da Catedral de Nossa Senhora das Mercês, em Itapipoca, no interior do Ceará, recebeu os restos mortais de Dom Frei Antônio Roberto Cavuto, bispo emérito que morreu aos 82 anos e foi sepultado na última terça-feira (6).

O sepultamento segue o que estabelece o Código de Direito Canônico, no cânon 1242, que prevê exceções à proibição de "sepultar cadáveres nas igrejas, a não ser que se trate do Romano Pontífice, de Cardeais ou de Bispos diocesanos, também os eméritos, que devem ser sepultados em sua própria igreja”.

O religioso era bispo emérito da Diocese de Itapipoca. Ele enfrentava um grave problema de saúde e estava internado em Minas Gerais, em um Centro de Tratamento Intensivo (CTI), nas últimas semanas.

Na segunda-feira (5), o corpo de Dom Antônio Roberto Cavuto chegou à Catedral de Nossa Senhora das Mercês, sendo acolhido pela comunidade diocesana.

Urna foi colocada no chão por conta da tradição.
Legenda: Urna foi colocada no chão por conta da tradição.
Foto: Pastoral da Comunicação.

Em seguida, foi celebrada a primeira Missa de Corpo Presente, que reuniu bispos, sacerdotes, religiosos e fiéis em um momento de oração, fé e gratidão por sua vida e por sua missão dedicada à Igreja.

O caixão foi colocado no chão, conforme as orientações do Cerimonial dos Bispos para as celebrações das exéquias.

“Na celebração das exéquias, observe-se em tudo nobre simplicidade. Assim, recomenda-se que o féretro seja colocado no chão e, junto dele, somente o círio pascal. Sobre o féretro, o livro dos Evangelhos ou da Escritura Sagrada ou uma cruz. Se o defunto for ministro ordenado, podem-se colocar, de acordo com os costumes locais, as insígnias da sua ordem”, explica o regimento.

Missa presidida por Dom Rosalvo Cordeiro de Lima, bispo de Itapipoca, antes do sepultamento.
Legenda: Missa presidida por Dom Rosalvo Cordeiro de Lima, bispo de Itapipoca, antes do sepultamento.
Foto: Pastoral da Comunicação.

QUEM É DOM ANTÔNIO

Dom Antônio Roberto Cavuto nasceu em Espírito Santo do Pinhal, São Paulo, no dia 19 de maio de 1944, filho de Antônio Cavuto e Rosália de Oliveira Cavuto. Entrou para o Seminário Menor dos Frades Capuchinhos, em Ouro Fino, Minas Gerais, em 1959.

Ingressou no noviciado em 1961 e emitiu os primeiros votos em 1962. Entre 1962 e 1965, cursou Filosofia no Convento de Itambacuri. Em janeiro de 1971, foi ordenado presbítero na cidade de Espírito Santo do Pinhal, em São Paulo.

Em 2 de julho de 2005 foi nomeado bispo de Itapipoca pelo Papa João Paulo II. Foi empossado no dia 31 de julho do mesmo ano.

Dom Antônio escolheu como lema para o seu episcopado “Queremos ver Jesus”. Também foi membro da Comissão do Semiárido do Regional Nordeste I e atuou à frente da Comissão dos Ministérios Ordenados e Vida Consagrada do mesmo regional.

Em 2020, ao completar 75 anos, teve a renúncia ao cargo aceita pelo papa Francisco. De acordo com as normas da Igreja Católica, os bispos devem apresentar sua renúncia ao chegar a essa idade.

Como era franciscano, na procissão de São Francisco, Dom Antônio sempre se vestia assim.
Legenda: Como era franciscano, na procissão de São Francisco, Dom Antônio sempre se vestia assim.
Foto: Pastoral da Comunicação.

Após a renúncia, Dom Antônio passou a morar em Fortaleza, até 2024. Naquele ano, o bispo emérito voltou para o Convento de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, em Belo Horizonte, onde ficam a Cúria e a Enfermaria Provincial.

No espaço há também a Província dos Franciscanos Capuchinhos de Minas Gerais, onde Dom Antônio ingressou na vida religiosa.

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