CE tem dois açudes sangrando 100 dias após fim da quadra chuvosa

Segundo Cogerh, açudes menores tendem a sangrar por mais tempo.

Escrito por Diego Barbosa diego.barbosa@svm.com.br
10 de Setembro de 2026 - 14:00
capa da noticia
Legenda: Açude Tijuquinha, em Baturité, existe desde 1950 e é considerado de pequeno porte.
Foto: Divulgação/Cogerh.

Ficam em Saboeiro e Baturité os açudes que continuam sangrando no Ceará – ou seja, superando a capacidade máxima – mesmo após 100 dias do fim da quadra chuvosa, completos nesta quarta-feira (9): o Caldeirões e o Tijuquinha, respectivamente. 

O primeiro pertence à bacia do Alto Jaguaribe; o segundo, à bacia Metropolitana. Além deles, outros 25 açudes estão com volume acima de 90% da capacidade. 

As informações estão no Portal Hidrológico do Ceará Companhia de Gestão de Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh). A sangria de Caldeirões e Tijuquinha neste momento é justificada. Conforme a Companhia, açudes menores tendem a sangrar por mais tempo.

Com capacidade para 1.240 hm³, o Caldeirões foi construído em 1992 e abastece comunidades ribeirinhas nas localidades de Barrinha e Poço Grande. O açude é conhecido por ser um dos primeiros reservatórios a atingir 100% da capacidade e a sangrar no início da quadra chuvosa no Estado – uma vez possuir bacia hidrográfica de resposta rápida.

O Tijuquinha, por sua vez, existe desde 1950 e também é considerado de pequeno porte, com capacidade máxima de 881 mil m³. O manancial abastece municípios da região do Maciço do Baturité; auxilia na liberação de água para usuários de irrigação do Vale do Acaraú, e reforça o abastecimento de comunidades rurais próximas ao reservatório.

Por que o Caldeirões voltou a sangrar mesmo sem chuvas na região

Em nota, a Cogerh explica que o retorno da sangria do Caldeirões, em Saboeiro – recentemente, o volume de água no reservatório caiu, mas voltou a crescer – não decorre de chuvas, e sim de resultado de operação hídrica planejada na bacia do Alto Jaguaribe

"Trata-se da liberação controlada de água a partir do açude Arneiroz II, definida em conjunto com o comitê da bacia e a comissão gestora do açude. A operação tem como objetivo perenizar cerca de 80 km do Rio Jaguaribe, garantindo o abastecimento de Saboeiro, de pequenos núcleos populacionais ao longo do trecho e das barragens situadas abaixo, como Barrinha e Poço Grande, em Jucás", diz o texto.

Explica ainda que o Caldeirões, isoladamente, não teria volume suficiente para abastecer Saboeiro até o fim do ano. Por isso, ele recebe o reforço da vazão liberada pelo Arneiroz II, a cerca de 50 km de distância.

A operação teve início em 1º de agosto, com vazão média de 580 litros por segundo (L/s), ampliada para 1.100 L/s em 15 de agosto. Com esse aporte, o Caldeirões voltou a sangrar em 8 de setembro, e a água segue agora em direção ao açude Barrinha.

"A previsão é de que a operação se encerre em cerca de 40 a 50 dias, quando toda a calha estiver perenizada e o açude de Poço Grande atingir o nível previsto", informa a Cogerh.

Açudes com volume inferior

Embora com dois açudes sangrando e com 25 em volume acima de 90%, o Ceará ainda possui 33 reservatórios com volume inferior a 30% neste momento, do total de 144 açudes monitorados pela Cogerh.

Açudes cearenses têm capacidade de armazenar 18,5 bilhões de metros cúbicos. No ano passado, o Estado teve um retrato positivo, com chuvas dentro da média nos meses da quadra chuvosa, ou seja, de fevereiro a maio.

Ainda assim, o balanço da situação hídrica do Estado em 2025 refletiu a distribuição irregular das chuvas ao longo da quadra. Em 30 de maio, algumas bacias hidrográficas estavam cheias com mais de 90% da capacidade total, enquanto outras amargavam volumes próximos a 30%, panorama verificado novamente neste ano.

Este conteúdo é útil para você?

Newsletter

Escolha suas newsletters favoritas e mantenha-se informado

Colunistas