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Expectativa de melhor serviço e preço menor

Chegada de empresa da África deve atrair outros players de tecnologia e dar mais opções para consumidores

01:00 · 14.04.2018
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Com cabos de fibra ótica e estrutura de data center, companhia angolana deve gerar empregos no Estado e aumentar interesse do mercado de tecnologia na região

A chegada da Angola Cables à Capital, com os cabos submarinos e um data center, deve impulsionar o mercado de telecomunicações e aumentar o interesse de outros players no cenário local. Mas a perspectiva do setor é de que o consumidor final seja uma das pontas mais beneficiada do processo. Com um maior número de operadores em Fortaleza, a tendência é que as condições de preço e qualidade dos serviços melhorem consideravelmente, para empresas e para pessoas comuns.

"Hoje, os grandes data centers não vem para Fortaleza, mas esses novos cabos vão fomentar a chegada de grandes players e isso significa mais concorrência e outras vias de oferta para que haja a queda de preços. Isso afeta diretamente o consumidor final, que terá mais opções, tanto para o mercado de data centers como para o mercado de conectividade", afirmou Felipe Abelha, diretor de operações da Wirelink, empresa cearense do ramo de construção de redes de telecomunicações.

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E o mercado de conectividade deverá receber um estímulo considerável, pois, de acordo com Sandra Mogami, coordenadora do coordenadora do 7º Congresso RTI de Provedores de Internet e do 9º Congresso RTI de Data Centers, a demanda por internet ainda tem muito espaço para crescer no Interior do Estado.

Alcance

"As grandes operadoras não vão além dos grandes centros, como Fortaleza, e nas cidades do Interior há uma mercado muito grande para as empresas de menor porte, até porque a internet é um produto que todo mundo quer", disse Mogami. A chegada de novos centros de processamento deverá ajudar a reduzir as distâncias para que as conexões sejam ainda mais rápidas. Atualmente, boa parte do tráfego de dados é feita em servidores nos Estados Unidos ou São Paulo.

"Quanto mais cabos chegarem aqui, mais estrutura a gente deve receber, com cada vez mais data centers vindo para cá. E quanto maior a estrutura, melhor para os negócios de internet. Eu consigo ver mais concorrência e vindo e preços cada vez menores", disse Abelha.

Novos negócios

A presença dos novos pontos de conexão, como o South Atlantic Cable System (SACS) - primeiro cabo de fibra ótica a ligar a África e a América do Sul -, não deverá ter um impacto tão grande na criação postos de trabalho. Mas, segundo Wladimir Soares, proprietário do Grupo Secrel, os cabos irão proporcionar oportunidades de negócios entre empresas cearenses e angolanas.

"Não vejo uma grande geração de empregos, porque os clientes da Angola Cables vão gerir tudo remotamente, mas isso vai possibilitar empresas locais prestarem serviços para empresas africanas", analisou Wladimir Soares.

Opinião compartilhada por Artur Mendes, diretor comercial e de marketing da Angola Cables. "Esta nova ligação direta entre Angola e África como um todo e o estado do Ceará, vai potencializar, sem dúvida, as relações do estado com África e atrair um maior intercâmbio e investimentos de empresas do outro lado do oceano", ponderou Mendes.

De acordo com a Angola Cables, considerando todos os projetos da empresa - cabos de fibra ótica e o data center -, serão criado entre 600 e 700 postos de trabalho, entre vagas diretas, indiretas e induzidas. Boa parte da mão de obra deve ser local.

Expansão

Pensando na expansão do mercado que a Hostweb, braço do Grupo Secrel, que já injetou R$ 25 milhões em um segundo data center próprio, espera dobrar esse investimento nos próximos dois anos, chegando ao valor de R$ 50 milhões. "O projeto da Hostweb foi feito para contemplar seis salas de Data Center, com a capacidade de suportar até 2.100 equipamentos. A plena capacidade, com todas as salas ocupadas, pode chegar até pouco mais de 12 mil equipamentos", disse o dono da Secrel. A empresa espera um crescimento de 40% a 50% em 2018. 

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