Datas que aquecem as vendas postas em xeque
Enquanto uns creem no fim de grandes eventos como o Natal, outros criam os próprios, como a Black Friday

Em recente entrevista, uma das figuras mais icônicas do e-commerce nacional, Jack London, que fundou o Booknet (atual Submarino), disse que o comércio eletrônico vem estabelecendo o fim do varejo sazonal. O pensamento é pertinente, posto que não há mais hora ou local para que os consumidores utilizem seus tablets, smartphones e outros aparelhos para fecharem negociações via internet. A afirmação, porém, acaba esbarrando nas datas especiais que o comércio eletrônico brasileiro vem utilizando, com cada vez mais frequência, para impulsionar o negócio. Em alguns casos, a empresa chega a vender em um dia o que venderia em um mês.
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A mais conhecida destas datas é a Black Friday, que nasceu no varejo físico dos Estados Unidos e chegou ao Brasil há cinco anos, através do comércio eletrônico. Grandes descontos, frete grátis e abatimentos em determinados tipos de pagamento são apenas alguns exemplos de vantagens que datas assim oferecem para os consumidores.
"O comércio eletrônico, de fato, não sofre muito com os efeitos sazonais, pois funciona 24 horas por dia e pode ser acessado de qualquer lugar. Ainda assim, há picos de compras em datas específicas. Existem casos em que as vendas chegam a subir cinco vezes o valor habitual", afirma Patricia Soderi, diretora de novos negócios do LeadMedia, grupo que detém as marcas Black Friday, Dia do Frete Grátis, Brasil Game Day, Boxing Week, Mega Saldão, Kids Baby Day e Web Fashion Day no País.
Logística é fundamental
Conforme Soderi, um dos fatores que tem impulsionado o bom desempenho essas datas especiais no Brasil é a maior organização logística. "Quando a Black Friday aconteceu pela primeira vez no País, em 2010, as empresas não tinha ainda uma real noção do que a data representava. As lojas, porém, aprenderam com os próprios erros e se planejaram melhor. É um fluxo muito grande em um único dia e, mais do que descontos, tem que haver bom atendimento", diz. Segundo ela, a Black Friday de 2014 movimentou de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão e modificou a cadeia logística de diversas empresas que participaram do evento.
Soderi também ressalta que o planejamento no atendimento e na entrega dos produtos deve estar aliado a um desconto responsável para que os vendedores não cometam excessos em datas especiais do comércio eletrônico. Descontos de 80%, 90%, por exemplo, precisam ser cuidadosamente pensados.
"Tem que ter planejamento. Parceria com fabricantes e queima de estoque são algumas possibilidades. Vai depender da estratégia da loja", opina. Segundo ela, o aumento do ticket médio, a fidelização de clientes e a divulgação da marca são os benefícios que as empresas têm ao participar de datas especiais. (AL)