MercadoLivre: de portal a plataforma de vendas online
Site soube aproveitar as oportunidades que vieram com a expansão da web e diversificou a oferta aos clientes

A história de duas décadas da internet comercial no Brasil possui diversos personagens importantes. Um deles, sem dúvida, é o MercadoLivre, que surgiu em 1999 como uma espécie de grande bazar eletrônico, mas que evoluiu na medida em que a rede também se desenvolvia, tornando-se uma companhia detentora de diversas plataformas online e que possui mais de 120 milhões de usuários atualmente.
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A empresa, aliás, afirma que acompanha de perto o comportamento do e-commerce nacional, que ainda representa apenas 4% de todo o comércio brasileiro, possuindo, assim, um imenso potencial a ser explorado no futuro. "O MercadoLivre foi evoluindo junto com a internet, explorando as diversas possibilidades que a rede proporciona. Hoje, estamos muito além de um site. Somos uma plataforma que possui diversas vertentes, como classificados, serviço de pagamento (MercadoPago), de entrega (MercadoEnvios), de criação de endereço online (MercadoShops) e muito mais", afirma o diretor geral do MercadoLivre no Brasil, Helisson Lemos.
Segundo ele, o que de fato movimenta a companhia atualmente não são mais as pessoas físicas que vendem itens usados para outras pessoas físicas, mas "um universo de empresas de pequeno, médio e até grande porte, que comercializam produtos novos em grande quantidade".
Como crescer mais?
Ainda de acordo com Lemos, o desenvolvimento do comércio eletrônico brasileiro passa, obrigatoriamente, por questões estruturais. O potencial, conforme diz, está aí. "Em países como Estados Unidos e Inglaterra, o e-commerce já representa mais de 10% de tudo que é negociado. No Brasil, temos condições de atingir esse nível, mas isso envolve toda uma conjuntura".
Segundo o diretor do MercadoLivre, uma questão básica, mas não menos importante, é garantir o acesso à internet para a população. "Quando começamos, há quase 16 anos, menos de 0,5% dos brasileiros podiam entrar na rede. Hoje, já são mais de 50%, mas isso pode melhorar", conta. Conforme Lemos, a qualidade e segurança da internet também deve evoluir, assim como os valores do serviço.
"Os preços têm que ser mais acessíveis, tanto para utilizar o serviço em si, como também para comprar aparelhos compatíveis. Fora isso, temos também, no Brasil um grande problema da não bancarização e da própria logística, que poderia ser muito melhor", complementa.
Avanço em meio à crise
Apesar do momento conturbado da economia brasileira, o comércio eletrônico segue com projeções positivas para os próximo anos. Conforme Lemos, isso acontece porque existe, cada vez mais, uma captação para o online daquilo que é consumido offline. "Os sites estão cada vez mais rápidos, com grandes opções. No MercadoLivre, por exemplo, temos 14 milhões de ofertas em tempo real", diz. "Preços competitivos e investimento em tecnologia, aplicativos e marketing online são o caminho para o crescimento em meio á crise", conclui.
Para o diretor do MercadoLivre, a população está entendendo que consumo online não é tão diferente do offline. "Eles estão cada vez mais confiantes".
Áquila Leite
Repórter