Rio de Janeiro. O jornalista Zuenir Ventura foi eleito ontem para a cadeira número 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL), que já foi ocupada por Ariano Suassuna, morto em julho deste ano. Esta eleição encerra a série de três que ocorreram em menos de um mês.
O jornalista recebeu 35 de 37 votos. Os poetas Thiago de Mello e Olga Savary receberam um voto cada.
Zuenir já havia se candidatado à ABL ao menos três vezes, mas sempre retirou-se do pleito para evitar competir com amigos. Desta vez, mudou de vaga para ceder lugar ao historiador Evaldo Cabral de Mello, eleito na última quinta (23) à vaga de João Ubaldo Ribeiro. A dança das cadeiras foi acordada entre os apoiadores de Evaldo e os que votariam em Zuenir.
Ao final da sessão de votação, imortais que apoiaram a campanha por sua eleição, como Merval Pereira e Arnaldo Niskier, pareciam animados.
Zuenir foi repórter, editor e chefe de redação das revistas "Visão" e "Veja", do "Jornal do Brasil" e do site "No mínimo". Hoje é colunista do jornal "O Globo".
Seu livro mais recente é o romance "Sagrada Família" (2012), que concorreu ao Prêmio Jabuti. Sua obra mais conhecida é o best-seller "1968 - O Ano Que Não Terminou" (1988).
O escritor ganhou o Prêmio Jabuti de 1995 na categoria de reportagem pelo livro "Cidade Partida", um retrato da violência no Rio de Janeiro. Zuenir também venceu os prêmios Esso de Jornalismo e Vladimir Herzog pela série de reportagens para o "Jornal do Brasil" sobre o assassinato do seringueiro Chico Mendes, morto em 1988. A série foi reunida no livro "Chico Mendes: Crime e Castigo" (2003).
Zuenir nasceu em 1931 em Além Paraíba (MG). Antes de cursar a faculdade de Letras, foi pintor, contínuo, faxineiro e balconista em Nova Friburgo (RJ), onde viveu a partir dos 11 anos.