A Suprema Corte dos Estados Unidos indeferiu, nesta segunda-feira (14), um pedido do governo Donald Trump para restringir o voto por correio antes das eleições de meio de mandato de novembro.
Apenas dois dos seis juízes conservadores do colegiado de nove membros apresentaram voto divergente.
O juiz Brett Kavanaugh, em voto concordante com a maioria, afirmou que o plano de Trump pode acabar sendo legal a longo prazo, mas que "as autoridades eleitorais estaduais e locais não têm tempo suficiente para implementar a regra de forma razoável antes das eleições".
Trump assinou uma ordem executiva em março buscando restringir o voto por correio, alegando, sem provas, que o sistema é vulnerável a fraudes. A ordem rapidamente provocou diversas contestações judiciais.
Democratas processam o governo
Estados governados por democratas processaram o governo sob o argumento de que, segundo a Constituição dos EUA, os estados — e não o governo federal — detêm amplo controle sobre a administração das eleições.
A ordem executiva de Trump exigiria a compilação de listas de eleitores aptos a votar e determinaria que o Serviço Postal dos EUA (USPS) entregasse as cédulas apenas aos eleitores constantes nessas listas.
Autoridades de vários estados haviam alertado que a falta de clareza jurídica em torno do plano estava gerando caos meses antes da votação de 3 de novembro.
Vários estados, incluindo a Carolina do Norte, já começaram a enviar cédulas por correio aos eleitores.
Um denunciante do USPS também havia alertado que milhões de americanos poderiam não receber as cédulas, pois os sistemas utilizados pelo serviço postal foram montados de maneira "desleixada e apressada".
Criticas ao sistema de votação à distância
Trump critica há muito tempo o voto por correio, mas ele próprio já o utilizou frequentemente, inclusive no mês passado, quando votou por correspondência nas primárias republicanas da Flórida.
Há anos, o presidente afirma, sem provas, que o voto por correio é altamente vulnerável a fraudes, associando-o repetidamente à sua alegação falsa de que a eleição presidencial de 2020 lhe foi roubada pelo democrata Joe Biden.
Pesquisas mostram que o Partido Republicano de Trump enfrenta uma séria ameaça de perder seu controle estreito sobre o Congresso em novembro, particularmente na Câmara dos Representantes.
Caso os democratas vençam, eles sinalizaram que bloqueariam a agenda de Trump e poderiam até mesmo tentar um terceiro processo de impeachment contra ele.