Companhia aérea Alitalia encerra atividades após 74 anos

Empresa dá lugar à ITA Airways, que já decolou pela primeira vez nesta sexta-feira (15)

Escrito por AFP producaodiario@svm.com.br
15 de Outubro de 2021 - 20:13
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Legenda: Último pouso da Alitalia aconteceu na quinta-feira (14) à noite em Roma
Foto: Andreas Solaro/AFP

A Alitalia encerra 74 anos de história para dar passagem à empresa ITA Airways, nascida de suas cinzas, em um mercado aéreo que luta pela recuperação após as turbulências da pandemia de Covid-19.

O primeiro voo da ITA Airways decolou nesta sexta-feira (15) às 6h20 locais (1h20 de Brasília) de Milão com destino a Bari, sul da Itália, sete horas após o último pouso da Alitalia, na quinta-feira à noite em Roma, procedente de Cagliari.

História da Alitalia

Fundada em 5 de maio de 1947, a Alitalia foi o símbolo do milagre econômico da Itália após a Segunda Guerra Mundial e se tornou a sétima companhia aérea do mundo nos anos 1970, antes de entrar em um longo declínio, que se agravou nos últimos anos.

A história da empresa está entrelaçada com a do país: as primeiras comissárias de bordo vieram em 1950, a Alitalia foi a empresa de transporte oficial dos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, e superou a marca de um milhão de passageiros. Paulo VI foi o primeiro papa que voou pela companhia, em 1964, e Antonella Celletti, a primeira mulher que pilotou um de seus aviões em 1989.

Funcionários

"Assistimos com profunda tristeza o fim da Alitalia, que era nossa marca nacional, símbolo da história do país", declarou, emocionada, Laura Facchini, de 47 anos, auxiliar de voo da Alitalia durante duas décadas. Como tantos outros, ela solicitou, em vão, passar a integrar o quadro de funcionários da ITA como parte da primeira série de 2,8 mil pessoas contratadas este ano. 

Até 2022 devem ser contratados 5.750 funcionários, de um total de 10,5 mil da Alitalia.

"Muitos de nós estamos desesperados porque não temos mais emprego. Estávamos muito ligados à empresa, muito motivados, sempre tivemos um sorriso no rosto”, disse a delegada nacional do sindicato UGL Transporte Aéreo.

Os sindicatos da Alitalia organizaram uma série de manifestações contra os "contratos com desconto" oferecidos pela ITA, com cortes de salários de até 20% e inclusive 40% para os pilotos, e a "venda por partes" da empresa.

Futuro da ITA

O setor de aviação passou para a ITA, uma empresa totalmente estatal, mas os serviços de terra e de manutenção serão vendidos de maneira separada, por meio de licitações, como exigiu a União Europeia nas duras negociações com Roma.

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