A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), aprovou, nesta quinta-feira (29), cinco novas canetas de GLP-1, sendo três usadas para o tratamento de obesidade e duas para diabetes. Com os novos registros, a agência já soma cerca de 20 canetas emagrecedoras e antidiabéticas aprovadas ao longo do ano.
Os medicamentos, à base de liraglutida e semaglutida, fazem parte da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, proteína que mimetiza a ação de um hormônio produzido pelo intestino humano após as refeições e reduz os níveis de açúcar no sangue, além de controlar o apetite.
A decisão foi publicada por meio da Resolução 4.244/2026 no Diário Oficial da União (DOU). A aprovação não significa a comercialização imediata dos medicamentos. As datas de lançamento e os valores de venda não foram informados.
Quais são as cinco canetas aprovadas?
Para o tratamento de diabetes (tipo 2):
- Aribet (liraglutida): registro da empresa Farma Vision Importação e Exportação de Medicamentos Ltda, com fabricação da empresa indiana Biocon
- Embeltah (semaglutida): registro da empresa Dr.Reddys Farmacêutica do Brasil Ltda, com fabricação da empresa indiana OneSource Specialty
- Sevema (semaglutida): registro da empresa Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A, com fabricação da empresa indiana OneSource Specialty
Para o tratamento da obesidade:
- Lyrza (liraglutida): Indicado para redução do peso em conjunto de exercícios físicos e alimentação equilibrada. Registro concedido à empresa Farma Vision Importação e Exportação de Medicamentos Ltda, com fabricação da empresa indiana Biocon.
- Wylovol (liraglutida): Controle do peso também associado à exercícios físicos e alimentação saudável. Registro concedido à empresa Farma Vision Importação e Exportação de Medicamentos Ltda, com fabricação da empresa indiana Biocon.
Embora os medicamentos tenham o mesmo ativo, suas indicações e esquemas de tratamento diferem. Por isso, uma caneta aprovada para diabetes não está imediatamente autorizada para o tratamento contra a obesidade.
Venda exige receita médica
Desde o ano passado, a venda das canetas emagrecedoras e antidiabéticas exigem a necessidade receita médica, que deve ficar retida na farmácia. A decisão foi tomada pela Anvisa, após o aumento do uso descontrolado desses medicamentos sem prescrição.
O uso das canetas sem acompanhamento profissional pode causar graves consequências à saúde como a perda acentuada de massa muscular, efeitos colaterais graves no sistema digestivo e complicações metabólicas. Por isso, a indicação depende de uma avaliação individualizada.
Priorização dos medicamentos
A aprovação das canetas faz parte de uma estratégia adotada pela Anvisa, de priorizar a análise de medicamentos com semaglutida e liraglutida. A aceleração é uma demanda do Ministério da Saúde em busca da facilitação do abastecimento e acesso desses medicamentos através do Sistema Único de Saúde (SUS).
A medida também busca aumentar a oferta dos medicamentos no mercado brasileiro para tentar diminuir o preço nas farmácias e combater a venda irregular no mercado paralelo.