O que se sabe sobre o suposto crime sexual de maqueiro contra PM em hospital de Fortaleza

Caso ocorreu na quarta-feira (26); investigações continuam.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
29 de Agosto de 2026 - 19:20
capa da noticia
Legenda: Suspeito saiu do hospital quando a polícia chegou.
Foto: Divulgação

Um policial militar denunciou ter sido vítima de uma violência sexual por parte de um funcionário no Hospital Uniclinic, no bairro José Bonifácio, em Fortaleza, na quarta-feira (26). As informações foram confirmadas ao Diário do Nordeste pelo advogado da vítima, Paulo Sidney. 

Por meio de nota publicada nesta sexta-feira (29) (leia abaixo na íntegra), nas redes sociais, a instituição informou que o profissional mencionado na ocorrência é um maqueiro vinculado a uma terceirizada que presta serviços à entidade, não integrando o quadro de empregados do hospital. O nome da empresa não foi divulgado.

Conforme relatado por Paulo Sidney, o policial estava no hospital após ter passado por uma cirurgia no joelho.

Ainda sob o efeito da anestesia, o paciente acordou do procedimento na sala de recuperação pós-anestésica e percebeu um homem ao lado da maca com as mãos dentro do seu calção, tocando o órgão genital do policial e fazendo movimentos com as maõs.

"Ele achou que o rapaz fosse um enfermeiro. E esse senhor estava passando a mão pelo corpo dele. Ele olhou, ainda naquele estado de torpor, mas sem acreditar. Ele tentou chamar uma enfermeira, só que ele não conseguia. O rapaz (o suspeito) disse: "Eu tô vendo se você já tá voltando da sedação", e ficou lá do lado dele por um bom tempo. Até então, ele (o policial) não estava entendendo o que estava acontecendo. Quando ele realmente percebeu que o cara estava com a mão por baixo do short dele, ele conseguiu levantar um pouco o pescoço e ver que o cara tava pegando no órgão genital dele"
Paulo Sidney
Advogado da vítima

Quando a vítima finalmente conseguiu chamar a enfermeira, diz Paulo, o suspeito deixou a sala. Segundo o advogado, após sair da cirurgia, às 11 horas da manhã, o policial relatou o ocorrido à profissional de saúde e acionou uma viatura da Polícia Militar. 

"Ele pediu para chamar alguém da direção do hospital, da ouvidoria, da assistência social, da psicologia, e ninguém atendeu a esse chamado. Só veio realmente alguém falar com ele às quatro da tarde, quando a polícia já estava procurando o rapaz", relata.

Sem flagrante, suspeito é ouvido e liberado

O suspeito foi capturado pela polícia já fora do hospital, sendo conduzido ao 25º Distrito Policial. Lá, segundo Paulo, o homem negou as acusações e informou ter feito apenas o serviço de transporte da maca. Por não ter tido prisão em flagrante, o suspeito foi ouvido e liberado.

"O delegado entendeu que o caso merecia ser apurado, mas não entendeu pelo flagrante. O delegado não foi ouvi-lo (vítima) no hospital, e por não ter a oitiva da vítima diretamente, não tinha como de fato o delegado fazer uma prisão em flagrante de uma pessoa. Então, o inquérito no mesmo dia foi aberto por portaria. Ele é aberto por portaria quando não ocorre flagrante e mesmo assim a investigação precisa continuar", explica o advogado. 

Até o momento, de acordo com o advogado, além do suspeito, foram ouvidos a vítima, os policiais que atenderam o caso e uma das enfermeiras.

Os próximos passos são de coleta de provas, como as imagens do circuito interno do hospital, a escala de plantão dos funcionários e as falas de outras pessoas presentes na sala de recuperação durante a ocorrência. 

"A Uniclinic ainda não nos forneceu as imagens. Também não nos foi fornecida a escala de plantão. Ele (suspeito) saiu do local assim que a Polícia Militar chegou, e eu não posso dizer que necessariamente ele se evadiu, porque eu preciso da escala para saber até que horas era o plantão dele. Nós vamos fazer um serviço de diligenciar junto à própria Uniclinic, para saber o que a empresa que é a responsável direta pelo maqueiro vai fazer", ressaltou Paulo.

O que diz a Uniclinic

Em nota, o Hospital Uniclinic confirmou o relato envolvendo a ocorrência de uma possível conduta inadequada praticada no interior de suas instalações.

Segundo a instituição, "desde a comunicação do fato, o hospital iniciou os procedimentos internos pertinentes, incluindo o levantamento e a preservação das informações e registros relacionados ao episódio, bem como a identificação dos profissionais que se encontravam no setor no período indicado, permanecendo à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos e fornecer os elementos que venham a ser formalmente solicitados no curso da investigação".

O comunicado também informa que qualquer conclusão de responsabilidade do caso deve decorrer "com observância do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência".

Leia na íntegra a nota da Uniclinic

O Hospital Uniclinic informa que tomou conhecimento da ocorrência envolvendo relato de possível conduta inadequada praticada no interior de suas instalações e, desde então, vem adotando as providências internas cabíveis, além de colaborar com as autoridades responsáveis pela investigação.

Em relação às informações que vêm sendo divulgadas, o Hospital esclarece que o profissional mencionado na ocorrência exercia a função de maqueiro, não de enfermeiro, e não integra o quadro de empregados do Hospital Uniclinic, sendo vinculado a uma empresa terceirizada que presta serviços à instituição.

Desde a comunicação do fato, o Hospital iniciou os procedimentos internos pertinentes, incluindo o levantamento e a preservação das informações e registros relacionados ao episódio, bem como a identificação dos profissionais que se encontravam no setor no período indicado, permanecendo à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos e fornecer os elementos que venham a ser formalmente solicitados no curso da investigação.

O Hospital Uniclinic trata com absoluta seriedade qualquer relato que possa envolver violação à dignidade, integridade ou à segurança de seus pacientes e mantém protocolos internos destinados à apuração de ocorrências dessa natureza.

Considerando que os fatos são objeto de investigação pelas autoridades competentes, o Hospital entende que qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade individual deve decorrer da apuração regular, com observância do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência.

Por respeito às pessoas envolvidas, ao sigilo das informações de saúde e à própria investigação em andamento, o Hospital não divulgará detalhes adicionais sobre o caso neste momento.

O Hospital Uniclinic reafirma seu compromisso com a segurança, o respeito, a dignidade e o acolhimento de seus pacientes e seguirá colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.

Newsletter

Escolha suas newsletters favoritas e mantenha-se informado

Edição do Dia