Mortes, invasões e circulação de armas: grupo do CV no Ceará é condenado a mais de 65 anos de prisão

Condenados discutiam homicídios, invasões de áreas rivais, fornecimento de armas e outras atividades ligadas ao Comando Vermelho em Maracanaú.

Escrito por Matheus Facundo matheus.facundo@svm.com.br
26 de Outubro de 2026 - 14:00
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Legenda: Sentença foi proferida pelo colegiado de juízes da Vara de Delitos de Organizações Criminosas.
Foto: Divulgação/TJCE.

Um grupo apontado como pertencente ao Comando Vermelho (CV) foi condenado a mais de 65 anos de prisão pela Justiça do Ceará neste mês. Os seis homens eram acusados de planejar homicídios, invasões de territórios e circulação de armamentos. 

De acordo com a sentença, proferida pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas, publicada no Diário da Justiça nesta terça-feira (20), a atuação do grupo criminoso concentrada no município de Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. As conversas analisadas pela investigação tratavam de disputas territoriais do CV contra facções rivais no município.

A investigação iniciou com a apreensão do celular de José Paulo da Silva Neto, um dos principais réus no processo criminal, apontado como executor de homicídios. Nos diálogos, que ocorreram entre maio e junho de 2023, foram flagradas conversas sobre alvos de homicídios e outras atividades criminosas do CV na região. 

O homem foi preso em flagrante em 29 de junho de 2023. Ele teria negociado armas e até uma granada, além de estar envolvido diretamente em assassinatos, conforme a Justiça. 

Os condenados e suas respectivas sentenças são: 

  • Carlos Roberto Cristiano de Sousa ('Beto Peroba'): 9 anos, 7 meses e 15 dias
  • Paulo Henrique Xavier da Costa ('Paulim'): 12 anos, 2 meses e 22 dias
  • Danilo de Freitas ('Sniper'): 9 anos, 7 meses e 15 dias
  • Ícaro Kaique Pedrosa Tomaz ('Russo'): 9 anos, 7 meses e 15 dias
  • Pedro Jorge Matias Felinto ('Lula'): 11 anos e 1 mês
  • José Paulino da Silva Neto ('Neto', 'Pipoca' ou 'Zeus'): 13 anos, 7 meses e 15 dias

O advogado José de Deus Pereira Martins Filho informou que a defesa de José Paulino já interpôs recurso de apelação contra a condenação. Segundo ele, o objetivo é buscar a revisão da sentença, com pedido de redução da pena, mudança do regime prisional ou até mesmo a absolvição do acusado.Ainda conforme a defesa, José Paulino e seus familiares têm ciência da situação processual e das estratégias adotadas no caso.

Já sobre a sentença de Pedro Jorge, a defesa, patrocinada pelo advogado César Gondim, informou que "respeita a decisão do juiz de primeira instânci", mas discorda do resultado:  "Vamos recorrer ao Tribunal de Justiça". "É importante deixar claro que o processo ainda não transitou em julgado e que não há uma condenação definitiva. O caso agora será reanalisado pelos desembargadores no tribunal, e a defesa continua confiante de que a sentença será revertida e o Pedro Jorge absolvido, tendo em vista a insuficiência de provas para condená-lo”, diz a defesa. 

O Diário do Nordeste procurou o restante das defesas dos condenados para um posicionamento sobre a sentença, mas não recebeu retorno. O espaço segue aberto. 

Para o colegiado de juízes da Vara de Delitos Organizações Criminosas juiz, o grupo não era formado apenas por simpatizantes da facção. As mensagens indicavam divisão de tarefas, transmissão de ordens, planejamento de ataques e apoio a integrantes envolvidos em crimes. Por isso, os acusados foram condenados principalmente pelo crime de participação em organização criminosa armada.

Tentativa de expansão de domínio da facção 

O grupo condenado teria agido com estratégias para expandir o domínio do CV em Maracanaú. Um dos bairros mais citados nas conversas interceptadas é o Alto da Mangueira.

Também aparecem referências a outros locais de atuação e interesse da facção dentro de Maracanaú, relacionados às disputas com a extinta facção de origem cearense Guardiões do Estado (GDE). 

Em um das mensagens, Carlos Roberto e José Paulino estariam "comemorando" a prisão de um líder da GDE, e avaliando que a facção local teria sido "enfraquecida" e, que, por isso, seria mais fácil tomar o controle no Alto da Mangueira.

"Nós vamos entrar no Alto da Mangueira e vamos ficar; todo dia vai ter bala", diria um trecho da mensagem. 

A sentença condenatória detalha o conteúdo de mensagens trocadas ao longo da investigação: 

  • 28/05/2023: conversas sobre homicídios e fornecimento de informações sobre alvos.
  • 30/05/2023: discussão sobre munições e uma granada atribuída ao réu José Paulino.
  • 02/06/2023 a 25/06/2023: pedidos de assassinatos, invasões de casas, obtenção de armas, planejamento de ações e arrecadação de dinheiro para a facção.
  • 26/06/2023: conversa sobre a intenção de o CV avançar sobre o bairro Alto da Mangueira após o enfraquecimento da GDE.

 

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