Uma testemunha de um roubo contra uma empresa de transporte foi alvo de ameaças feitas por pai e filho, apontados como "ameaçadores" da facção criminosa Comando Vermelho (CV), para mudar o depoimento à Justiça sobre o crime ocorrido em maio deste ano, em Cascavel, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Os dois foram presos nessa terça-feira (27).
De acordo com documentos obtidos pelo Diário do Nordeste, os suspeitos, identificados como Francisco Xavier de Castro e Francisco Geilson de Castro, de 66 e 24 anos, seriam responsáveis por transmitir às vítimas ordens e ameaças feitas por integrantes do CV.
A vítima teria sido ameaçada ao menos duas vezes desde que testemunhou o crime. Em uma das ocasiões, três homens, entre eles Xavier, pai de Geilson, foram até a residência da testemunha à procura dela, mas não a encontraram no local.
Horas depois, Gleison foi à casa da vítima acompanhado de outro homem, ambos apontados como integrantes do grupo criminoso. No local, a dupla reproduziu um áudio com ameaças e exigências do Comando Vermelho (CV).
Na mensagem, a ordem seria que a testemunha mudasse o depoimento prestado à Justiça sob a pena de sofrer violência e perder sua casa. Diante das ameaças, o homem declarou aos suspeitos que ia mudar a sua versão do crime testemunhado.
Os alvos foram identificados e localizados na localidade de Buritizal, em Cascavel, pela Polícia Civil do Ceará (PCCE). Eles foram autuados pelos crimes de integrar organização criminosa, ameaça, coação e fraude processual e colocados à disposição da Justiça.
As investigações, conduzidas pela 1º Delegacia de Polícia Civil de Cascavel, apontam que as ameaças teriam como objetivo dificultar a responsabilização dos envolvidos no crime de roubo, que também é investigado pela Polícia Civil.
Criminosos roubaram carro e equipamentos de empresa
O roubo, presenciado pela vítima, ocorreu na madrugada de 25 de maio, em uma empresa de transporte em Cascavel. Na ocasião, três criminosos invadiram a garagem do estabelecimento e renderam um vigilante. Em seguida, fugiram levando um carro, televisores, equipamentos diversos e R$ 300 pertencentes à vítima.
Um dos criminosos foi reconhecido pela vítima e seria um ex-vigilante da empresa, que também teria coagido a testemunha a mudar o seu depoimento sobre o caso. Ele foi preso durante as investigações.
O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou, em julho, os suspeitos do crime, afirmando que a ação foi premeditada, visto que um dos suspeitos sabia a atuação logística do local.
O órgão apontou que os denunciados praticaram o crime de roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas, pela restrição da liberdade da vítima e pelo emprego de arma de fogo, conforme conclusão da autoridade policial.