PF investiga interferência dos EUA na eleição do Brasil após denúncia da AGU

Denúncia ocorreu após artigo de jornal britânico sobre projeto de financiamento de grupos contrários ao STF.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
04 de Outubro de 2026 - 13:48
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Legenda: Andrei Rodrigues afirma que portaria do inquérito ainda não foi publicada, mas investigação foi iniciada.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

O diretor da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação abriu uma investigação para apurar possíveis interferências dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.

Em entrevista no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN), localizado na sede da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Brasília, neste domingo (4), Andrei relatou que recebeu uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU) sobre um artigo publicado no jornal britânico The Guardian. 

A reportagem denunciava um suposto projeto norte-americano intitulado "Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil". O projeto em questão previa recursos de R$ 5 milhões para grupos da sociedade civil que se opõem e contestam decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

A iniciativa integra um conjunto de 43 concessões que somam US$ 176,9 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado americano.

O nome dos grupos que seriam beneficiados com os recursos não foram citados pelo jornal The Guardian.

"Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso", disse Andrei, conforme informações da CNN Brasil.

Medidas contra o STF por parte dos EUA

Em julho de 2025, o governo americano sancionou o ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky. A sanção foi tida como uma punição por supervisionar o julgamento que levou à condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de estado. Em dezembro do mesmo ano, os EUA revogaram as sanções.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também já expressou preocupação quanto à interferência dos Estados Unidos na democracia brasileira. Durante discurso na abertura na 81ª Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova York, nos Estados Unidos, em 22 de setembro, Lula defendeu a soberania do Brasil. 

"Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais", disse em seu discurso.

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