O diretor da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação abriu uma investigação para apurar possíveis interferências dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.
Em entrevista no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN), localizado na sede da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Brasília, neste domingo (4), Andrei relatou que recebeu uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU) sobre um artigo publicado no jornal britânico The Guardian.
A reportagem denunciava um suposto projeto norte-americano intitulado "Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil". O projeto em questão previa recursos de R$ 5 milhões para grupos da sociedade civil que se opõem e contestam decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
A iniciativa integra um conjunto de 43 concessões que somam US$ 176,9 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado americano.
O nome dos grupos que seriam beneficiados com os recursos não foram citados pelo jornal The Guardian.
"Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso", disse Andrei, conforme informações da CNN Brasil.
Medidas contra o STF por parte dos EUA
Em julho de 2025, o governo americano sancionou o ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky. A sanção foi tida como uma punição por supervisionar o julgamento que levou à condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de estado. Em dezembro do mesmo ano, os EUA revogaram as sanções.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também já expressou preocupação quanto à interferência dos Estados Unidos na democracia brasileira. Durante discurso na abertura na 81ª Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova York, nos Estados Unidos, em 22 de setembro, Lula defendeu a soberania do Brasil.
"Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais", disse em seu discurso.