Deputados mantêm visita a associações de PMs e deixam de fora grupo que tensionou CPI na AL-CE

Relator diz que ligações para agendamento não foram atendidas; APS rebate versão

Deputados membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Associações Militares da Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE) continuaram, nesta terça-feira (17) as visitas às associações de policiais e bombeiros em Fortaleza. Eles atuam em investigação sobre suposto envolvimento de entidades com o motim de PMs no Ceará em 2020.

A agenda desta terça-feira foi no clube recreativo da Associação dos Praças do Ceará (Asprac) após, ainda na semana passada, os deputados terem visitado a sede do grupo. De acordo com Elmano Freitas (PT), relator da comissão, havia expectativa de visitar também a Associação dos Profissionais de Segurança (APS), mas não houve confirmação sobre a agenda.

A falha de comunicação, de acordo com o parlamentar, se deu porque a APS não atendeu as ligações para agendamento da visita. A assessoria da instituição, no entanto, rebate e diz que mensagens de texto foram respondidas nesses sentido. 

Diferenciação

Para o presidente da comissão, Salmito Filho (PDT), a visita desta terça "vai diferenciando a associação que tem estrutura, recursos próprios, e aquela associação que a gente não consegue ver e que a gente identifica problemas". 

Entre os seis depoimentos de diretores e ex-diretores de associações militares no âmbito da comissão, houve tensionamento apenas nas participações da APS.

Com histórico de ligação a parlamentares do Estado, como o deputado federal Capitão Wagner (UB) e o estadual Soldado Noélio (UB), ligados à oposição, a APS teve suspeitas levantadas na CPI em relação a saques de dinheiro em datas próximas ao motim de PMs em 2020 e mobilização de agentes para atos políticos.

As irregularidades foram negadas pelos membros e ex-membros da associação. Em contrapartida, os opositores acusam interesses eleitoreiros na atuação da comissão.

Elogios à Asprac

Tanto o presidente quanto o relator da comissão teceram elogios à Asprac e destacaram a atuação de assistência, também no âmbito jurídico, dada pela associação aos policiais militares e bombeiros. 

"Pra eles é muito bom e para a sociedade também. Se eles estiverem bem, com bom repouso e lazer, vão estar servindo bem na condição de militares", destacou Salmito.

"É impressionante. Um motivo de orgulho para os que contribuem para essa entidade ter uma estrutura como essa para o seu lazer e sua família e amigos. Efetivamente é algo engrandecedor", completou ainda o relator Elmano Freitas. 

DEPOIMENTOS DE TESTEMUNHAS COLHIDOS NA CPI DAS ASSOCIAÇÕES MILITARES:

  • Homero Catunda, presidente da Associação dos Oficiais da PM e do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (Assof);
  • Euriano Santabaia, presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos da PM e do Corpo de Bombeiros (ABSS);
  • Pedro Queiroz da Silva, presidente da Associação de Praças da PM e do Corpo de Bombeiros (Aspramece);
  • Nascimento, presidente da Associação das Praças da Região do Cariri (Asprac).
  • Cleyber Araújo, presidente da Associação dos Profissionais de Segurança (APS)
  • Sargento Reginauro, ex-presidente da Associação dos Profissionais de Segurança (APS)
  • Rêmulo Silva, ex-tesoureiro da Associação dos profissionais de Seguança (APS)
  • Elton Regis do Nascimento, ex-diretor da Associação dos Profissionais da Segurança (APS)