Usina no Pecém faz primeiro teste com carvão gerado da casca de coco
Diamante Energia queimou 1,5 tonelada de biocarvão misturada ao carvão mineral. Tecnologia foi desenvolvida em parceria com a Uece.
A Diamante Energia realizou, no dia 14 de outubro, o primeiro teste industrial com biocarvão feito a partir da casca do coco na usina termelétrica do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza. O combustível foi misturado ao carvão mineral e queimado na caldeira da Unidade Geradora 1, de 360 MW.
Foram usadas cerca de 150 toneladas de combustível (148,5 toneladas de carvão mineral e 1,5 tonelada de biocarvão), o que equivale a 1% da mistura em massa. Em agosto, esta Coluna mostrou a chegada da primeira remessa do material à usina.
O projeto começou em 2024 e é financiado pelo programa de PDI da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com investimento de R$ 2,7 milhões. Desde o início, foram processadas cerca de 13,2 mil cascas de coco, o equivalente a 20 toneladas de biomassa.
Nos testes de laboratório, o biocarvão teve poder calorífico superior ao do carvão mineral usado na usina. O teor de enxofre ficou mais de dez vezes menor.
Viabilidade econômica
O teste coletou dados sobre moagem, estabilidade da combustão, cinzas e emissões. Segundo a empresa, a viabilidade econômica e os ganhos ambientais ainda dependem de avaliações complementares.
Mona Lisa Moura de Oliveira, professora e coordenadora do projeto na Uece, diz que, "agora, em ambiente industrial, poderá ser avaliado de forma prática o desempenho do biocarvão". Os próximos passos serão definidos depois da análise dos dados.
Para o Ceará, o projeto pode gerar resultados para além da geração de energia. O aproveitamento da casca de coco oferece uma alternativa para a destinação de resíduos e abre possibilidades de valorização da biomassa regional, com reflexos positivos para a cadeia produtiva.