Um segundo “crime” no Maracanã

Sou admirador do “Rei” e o considero o melhor do mundo em todos os tempos, mas é um desrespeito sem limites retirar o nome do jornalista e escritor Mário Filho do Maracanã para homenagear Pelé

Maracanã
Legenda: O Maracanã é um dos símbolos do Rio de Janeiro e um dos principais estádios do mundo
Foto: Yasuyoshi Chiba / AFP

Nas décadas de 1970 e 1980, narrei muitos jogos direto do “Maior Estádio do Mundo” no Rio de Janeiro. Público acima de 150 mil pagantes. Jogos da Seleção Brasileira e clássicos cariocas. Aí, pela ideia macabra de um infeliz, destruíram o Maracanã. Uma reforma que o apequenou, tornando-o igual a tantos outros por aí. Foi o primeiro crime cometido contra o Maracanã. Agora querem substituir o nome do jornalista Mário Filho por Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Sou admirador do “Rei” e o considero o melhor do mundo em todos os tempos. Mas não é assim a forma correta de homenageá-lo. O jornalista e escritor Mário Filho merece respeito. Sua luta pela construção do Maracanã foi intensa. Foi pelo entusiasmo dele que o futebol carioca cresceu aos olhos do mundo. Em 1966, quando Mário morreu, houve a iniciativa de alguns vereadores, logo aprovada. Então o Maracanã passou a ser chamado de Mário Filho. Imaginem agora os familiares de Mário verem tamanha desfeita, ou seja, a retirada de seu nome como não merecedor da homenagem. Inaceitável condenação pública e ingratidão a um dos maiores benfeitores do futebol no Rio de Janeiro. Não deixem que esse segundo crime seja cometido. 

Rei e Rainha 

Estive na inauguração do Estádio Rei Pelé em Maceió em 1970. Pelé esteve lá.  Agora querem mudar o nome para Estádio Rainha Marta, notável jogadora nascida em Alagoas. Alguém ponderou que poderia haver só um acréscimo, ou seja, “Estádio Rei Pelé e Rainha Marta”. Virou polêmica ainda não resolvida.  

Mudanças inaceitáveis 

Gosto de respeitar as homenagens. Acho uma deselegância se desfazer uma homenagem. É uma agressão à família do homenageado. Uma punhalada na memória. Se a moda pega, fica igual ao estádio de Quixadá que já foi José Baquit, Luciano Queiroz, Antonio Abilio e Estádio dos Imigrantes. Brincadeira...  

Respeito 

Em 1999, pela Lei 9.778, o Aeroporto do Galeão passou a ser denominado de Tom Jobim, notável maestro brasileiro. Houve polêmica, pois houve quem defendesse o nome de Santos Dumont, o Pai da Aviação. Mas já havia o antigo aeroporto, embora velho e menor, em homenagem a Dumont. Deixaram como estava.  

Absurdo 

Nestas polêmicas, pior aconteceu em Fortaleza. A Fraport, empresa alemã, assumiu o Aeroporto de Fortaleza. Primeira providência: retirou da fachada o nome Pinto Martins. Um desrespeito ao aviador cearense. Alega que manteve o busto e o histórico do aviador no hall principal. Não engoli. A família protestou. Os vereadores daqui silenciaram. Covardia.