Inseparável sequência dos fatos

Confira coluna do comentarista Tom Barros desta segunda-feira (4)

Foto: Bruno Gomes / SVM

Há quatro dias começou o Ano Novo. Mas o futebol ainda está em 2020. Circunstâncias especiais levaram a uma fusão incrível. A pandemia criou algo inusitado no mundo todo. Pelo milagre da memória, volto a 1965, época em que iniciei meu trabalho profissional. O rádio era o veículo do futebol. A televisão ainda não havia descoberto esse nincho e vivia adormecida em berço esplêndido. O rádio tomava conta de tudo. Coisas do passado. Hoje é aceitar, entender e interpretar numa boa o campeonato de um ano dentro do outro ano. Uma complementação que faz 2020, de forma atípica, ter no futebol 14 meses. Dirão, talvez, que na contagem tem de haver o desconto da paralisação de quatro meses, quando do auge da crise. Verdade. Que assim seja. Mas, na realidade, um ano invadiu o outro ano. E pronto. É assim que todos terão de seguir até o dia 24 de fevereiro de 2021, vivendo a disputa válida pelo campeonato do ano passado. É estranho. Mas o mundo de máscaras também é estranho. Home office é estranho. O distanciamento social é estranho. Essas condições esquisitas também vieram de 2020 e vão seguir até Deus sabe quando. Inseparável sequência de fatos.

O Fortaleza 

Chegou o momento de o Fortaleza ser o Fortaleza. Essa colocação pode parecer esquisita, mas procede. Houve o Fortaleza do Rogério Ceni. Passou. Agora o Fortaleza que pode ser o do Chamusca, isto é, trabalhado à imagem desse treinador. Isso é incorreto. O Fortaleza tem de ser o Fortaleza.   

Identidade

Tenho cobrado nova identidade para o Leão. Um time acima dos perfis individuais. Que seja bem definido nas suas propostas, linhas de atuação e modelos táticos. Um time não sujeito à entrada ou saída de treinador. Um Fortaleza sabedor de sua capacidade, sejam quais forem as circunstâncias. 

Situação 

O Ceará parece ter alcançado o ponto em que não depende tanto do treinador. Este deu a fórmula. O grupo assimilou. Após isso, o time ganha uma certa automação. É claro que o técnico tem o comando. Entretanto, se houver mudança emergencial, o grupo toca o formato adquirido.  

Série C 

O Floresta está bem próximo da ascensão para a Série C nacional. Será um feito notável. Mas vale uma advertência: cuidado contra o traiçoeiro “já ganhou”. O América de Natal tem história, tradição e joga em casa. A vantagem do Floresta é enorme (pode até perder por diferença de um gol), mas não é tudo. Saber administrá-la é a chave para evitar surpresas.



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