A Pátria descalçou as chuteiras

Banalizaram a Seleção Brasileira. Os títulos escassearam. Houve uma quebra de encanto. Mas por uns tempos só, penso

seleção brasileira
Foto: Divulgação/CBF

Hoje, as comemorações da Independência do Brasil. Bateu saudade dos bons tempos de Liceu do Ceará, colégio pelo qual desfilei em dias assim. Sentimento cívico mantido intocável. O Brasil verde e amarelo não pertence a partidos políticos nem a políticos. São cores inspiradas na Bandeira do Brasil. Assim, na época das Copas do Mundo, os brasileiros ornamentam avenidas, ruas, praças e vielas com bandeirolas nas cores verde e amarelo. Oficialmente, os símbolos da Pátria são: a Bandeira Nacional, o Hino Nacional, o Brasão Nacional e o Selo Nacional. Mas há uma representatividade não oficial, que o notável escritor Nelson Rodrigues batizou como sendo “A Pátria de Chuteiras”, ou seja, a importância do futebol na projeção nacional. E assim, como consequência, a Seleção Canarinho elevada a símbolo popular da Pátria. Há alguns anos, o país parava quando a Canarinho entrava em campo até mesmo em amistosos. As empresas suspendiam as atividades na hora das transmissões. Hoje, já não é assim. Banalizaram a Seleção Brasileira. Os títulos escassearam. Houve uma quebra de encanto. A Pátria descalçou as chuteiras, mas por uns tempos só, penso. 

Harmonia

No Brasil, lamentavelmente, há mortes por divergências futebolísticas. Não raro há confrontos entre torcidas. São condenáveis e inaceitáveis atos de violência, máxime os que terminam em mortes. Não deveria ser assim. Repudio a violência em todos os graus. Pugno pela harmonia entre as torcidas. Pugno também pela moderação na política. O ódio não edifica: mata. 

Paz

Hoje, haverá manifestações políticas. Isso é natural que aconteça, principalmente pela temperatura elevada que os debates e também as provocações alcançaram de certa época para cá. Não gostaria, porém, de ver o Dia da Pátria marcado por confrontos, badernas e depredações. Sou da paz. Abomino a desordem. 

Símbolo

Quero acreditar que, por motivos óbvios, a Pátria tenha por uns tempos descalçado as chuteiras, mas a Seleção Brasileira de futebol continuará sendo um símbolo popular de nosso país. Basta mais um título mundial para que haja a renovação dos sentimentos de amor à Canarinho nascidos na Copa de 1958.  

Sentimento permanente

A rigor, os sentimentos com relação à Seleção Brasileira, creio, estão apenas adormecidos. Quando o esporte brasileiro alcança vitórias memoráveis, logo os vencedores se envolvem com a Bandeira do Brasil ou a exibem com orgulho. Assim no auge de Ayrton Senna. Assim, recentemente na Olimpíada com Rebeca Andrade, ouro na ginástica, e também com outros medalhistas de ouro do Brasil. 



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