A nova realidade do segundo turno

No returno, não há mais segredos. Todo mundo conhece todo mundo, nas alternativas e variações. Então os desafios se tornam mais complicados

Legenda: Cuca comanda a boa campanha do Atlético Mineiro, líder do Campeonato Brasileiro
Foto: Divulgação/Atlético Mineiro

É do conhecimento geral que o segundo turno do Campeonato Brasileiro tem uma feição completamente diferente da primeira volta. No turno, as equipes não se conhecem. As surpresas acontecem com maior frequência. Após dezenove rodadas é possível uma avaliação segura, máxime com relação às equipes que se destacaram. No returno, não há mais segredos. Todo mundo conhece todo mundo, nas alternativas e variações. Então os desafios se tornam mais complicados. E mais: daqui a pouco os jogadores também estarão dando os primeiros sinais dos desgastes, máxime os que já ultrapassaram os 35 anos de idade. É comum. Campeonato légua tirana tem dessas coisas. Quem conseguir adotar novas fórmulas, saindo do trivial, pode se dar melhor. Todos passam por oscilações. E há os que dão a volta por cima. O Atlético-MG disparou. Está difícil segurá-lo. O Palmeiras está variando muito. O Flamengo, após a saída de Rogério Ceni e chegada de Renato Gaúcho, voltou a ser um time arrasador. Como tem jogos a menos, breve estará brigando pela liderança.  A transição do turno para o returno gera inquietações. Quem não souber alterar o rumo, poderá ter surpresas desagradáveis. 

Jejum 

A falta de vitória do Fortaleza tem gerado sérias indagações. A fórmula Vojvoda declinou, como admitem alguns comentaristas, ou será passageira queda de produção? A verdade é que as vitórias escassearam. O time não jogou mal diante do Atlético, mas cometeu falhas defensivas nos dois gols. No primeiro, a marcação não existiu. No segundo, dois zagueiros altos perderam a jogada aérea.   

Pressa 

Vi muitas observações desfavoráveis ao trabalho inicial de Tiago Nunes, que estreou com derrota do Ceará diante do Grêmio. O argumento dos críticos referiu-se à manutenção da base do ex-técnico Guto Ferreira. Acho que é cedo para conclusões definitivas.  Nem sempre a estreia de um treinador produz significativa mudança. Isso depende muito dos fatores de ocasião. 

Casos isolados 

Há treinadores que revolucionam logo na chegada. Casos recentes de Vojvoda no Fortaleza e de Renato Gaúcho no Flamengo. Mas esses são casos pontuais, isolados. É mais comum o amadurecimento gradual, ou seja, o novo treinador vai conhecendo melhor o elenco. Daí então promove as modificações, fazendo os devidos ajustes. Tiago Nunes certamente fará assim.  

Expectativa 

Esperem arrocho neste teórico segundo turno. Importante é não entrar em pânico. A maioria das equipes experimentará desgastes. Haverá queda de produção. Talvez três ou quatro equipes, porque detentoras de um elenco maior e mais qualificado, não sofram tanto o cansaço. As demais, certamente, sentirão. Umas mais, outras menos. Só não podem deixar a peteca cair tanto.  



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