Na região do Cariri, o agro e a indústria mostram sua exuberância
No triângulo Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha (o Crajubar), a economia cresce na velocidade do xaxado. A qualidade de vida, também.
Este colunista, por dever de ofício, passou toda a última quinta-feira, 29, entre Barbalha – sede da ExpoCariri, maior exposição a céu aberto da agropecuária do Ceará – e Juazeiro do Norte, que é, digamos assim, a capital da região Sul do estado.
Os atentos olhos do repórter logo foram despertados para a exuberância da paisagem. Visto de cima – a bordo de um King Air fabricado em 1999, mas com manutenção em dia e aviônica de última geração – o Cariri cearense, sob as bençãos do Padre Cícero, é um oásis a explodir em desenvolvimento social e econômico, principalmente na área do Crajubar (Crato, Juazeiro e Barbalha), uma conurbação aparentemente planejada, fruto da especial atenção que lhe concederam os últimos governos de Cid Gomes, Camilo Santana e Elmano de Freitas.
Tudo começa no Aeroporto Regional do Cariri, no lado Leste da hoje belíssima cidade de Juazeiro do Norte, cuja privatização o livrou da ridícula Infraero, dando-lhe de presente, via leilão público na Bolsa de Valores B3 a espanhola Aena, administradora de 42 aeroportos europeus, entre os quais o Barrajas, de Madri, e o Josep Tarradelas, de Barcelona.
O terminal aeroportuário de Juazeiro tem, além de um novo desenho arquitetônico, detalhes que se sobressaem, entre os quais a limpeza e o perfeito funcionamento dos banheiros, além de largos espaços para o check-in e a inspeção de segurança, e mais uma área exclusiva para a aviação executiva, 300 metros além da estação de embarque (na quinta-feira, havia estacionados lá quatro helicópteros e mais quatro aviões – três jatinhos e um turboélice).
Há uma estrada bem asfaltada e melhor ainda conservada (não há buracos nela) que leva do Aeroporto de Juazeiro à duplicada rodovia que une a BR-116 a Juazeiro do Norte, passando por Barbalha, também sem buracos. Entre as duas cidades, a mesma rodovia mantém, igualmente, a perfeição na sinalização horizontal e vertical e nos semáforos.
Em Juazeiro, o olhar de qualquer curioso é atraído pelos vários e novos edifícios residenciais de 22 andares, pela boa limpeza das ruas e pela saborosa gastronomia – há muito bons restaurantes, cujo serviço, porém, precisa melhorar. Os caririenses reclamam das operadoras de telefonia – na ExpoCariri, quinta-feira passada, era péssimo o serviço da Claro, Vivo e Tim: simplesmente, não havia sinal para o funcionamento dos telefones celulares.
Quem mora no eixo Crajubar tem à sua disposição todos os serviços de saúde, educação e financeiros existentes em Fortaleza: bons hospitais públicos e privados, boas escolas de nível fundamental e médio, agências dos grandes bancos e universidades para todos os gostos e bolsos, públicas ou particulares.
Desde a quinta-feira passada e até segunda-feira, 2 de novembro, Dia de Finados, todos os hotéis e pousadas de Juazeiro do Norte estão cheios de peregrinos que, vindos dos vários estados nordestinos e até do Sudeste do país, vão lá para pagar promessas por graças alcançadas pela intercessão do Padre Cícero Romão Batista, o qual, para os caririenses, é, como sempre foi, um santo.
A ExpoCariri é mais um grande evento que deixa visivelmente orgulhosos os cearenses do Sul do estado, como disse à coluna o prefeito de Barbalha, Guilherme Sampaio.
A Federação das Indústrias (Fiec), por meio do Sesi e do Senai, criou e mantém em Juazeiro do Norte e noutras cidades da região núcleos de formação e qualificação de mão de obra para atender à demanda das empresas de lá. A mesma coisa faz o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-CE), organismo ligado a Federação da Agricultura (Faec), que promove, permanentemente, nas fazendas da agricultura e da pecuária, treinamento constante para a transmissão do conhecimento ao produtor rural, principalmente o de pequeno porte.
E agora são as virtudes do clima, do solo e da luminosidade da Chapada do Cariri, a 900 metros de altura, aliadas ao proclamado espírito empreendedor do cearense, que trazem, como imã, grandes produtores dos principais estados agrícolas do país. Já chegaram e continuam a chegar agricultores de Mato Grosso, Piauí, Maranhão e Tocantins. Fugindo dos altos preços das terras nos seus estados de origem, eles investem no Sul do Ceará, onde já produzem soja e outras culturas.
Rita Grangeiro, sócia e administradora da Fazenda Grangeiro, que em Paracuru produz feijão verde e coco verde durante o ano inteiro, não tem dúvida de que "está mesmo acontecendo uma revolução agrícola e pecuária no Sul do Ceará, e isto é fruto de uma ação conjunta envolvendo a liderança da Faec e do Sebrae-CE e o governo do estado, uma parceria que tem dado muito certo".
Rita, juntamente com a pecuarista Candice Rangel, liderou o Encontro das Mulheres do Agro do Cariri, que se realizou ontem na ExpoCariri, reunindo mil mulheres que gerenciam ou são peões em fazendas agropecuárias dos 28 municípios caririenses. Hoje, 25% dos estabelecimentos da agricultura e da pecuária do Ceará são comandados por mulheres. Esse percentual segue em aclive.
A ExpoCariri será encerrada hoje à noite com um show de forró.
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