Cultivo protegido: um holandês entusiasma-se com a Ibiapaba

Ferry Johan, um especialista na produção de hortaliças sob estufas, pretende, com tecnologia, multiplicar a produção cearense de hortaliças

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Sílvio Carlos Ribeiro, Ferry Johan, Edilberto Rodrigues e Salmito Filho, todos unidos pela expansão da cultura protegida no Ceará
Foto: Egídio Serpa
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Na Chapada da Ibiapaba, no Noroeste do Ceará, onde há hoje cerca de 600 hectares de estufas sob as quais se desenvolvem culturas protegidas, 100% das quais de hortaliças, a produtividade é de 70 toneladas de tomate por hectare/ano; na Holanda, onde esse tipo de cultura é uma paixão nacional – e este colunista o testemunhou em julho passado ao visitar várias empresas da região de influência de Roterdã – essa produtividade alcança 800 toneladas por hectare/ano.

Mas vamos devagar, que é o santo é de barro. Os holandeses dominam, sem concorrentes, a tecnologia do cultivo sob estufas, mas seu custo de produção é muito elevado, e mesmo assim com boa margem de lucro. Eles utilizam não o plástico para cobrir as estufas, mas o vidro, para cuja sustentação há uma estrutura metálica cara e um sistema de iluminação elétrica, para controlar a temperatura, mais caro ainda.  

Ferry Johan, um dos maiores consultores mundiais em cultivo protegido, esteve, nos últimos cinco dias, no Ceará. Acompanhado do empresário cearense Edilberto Rodrigues, que vai investir nessa boa novidade, ele visitou na terça-feira, 27, alguns dos agricultores da Chapada da Ibiapaba que estão a produzir tomates e pimentões coloridos com a tecnologia do cultivo protegido. Johan ficou impressionado com a criatividade inovadora do produtor rural ibiapabano, que utiliza não vidro, mas lonas de plástico para cobrir suas estufas, algo que reduz o custo de produção ao "minimum minimorum" (expressão latina que significa o menor de todos).  

Na Holanda, metade do ano tem frio, que se agrava de novembro a fevereiro, quando o custo de produzir sob estufas cresce pela necessidade de equilibrar a temperatura interna, exigindo consumo maior de energia elétrica.  

"Aqui no Ceará, esse custo de energia praticamente não existe, mas será necessário melhorar a estrutura de proteção das estufas para que se multiplique por dois, no mínimo, a atual produtividade da cultura protegida de hortaliças, e isto é perfeitamente viável", prognosticou Johan.  

Pois é exatamente aqui que entram em cena ele, sua consultoria Nobridge e a CN Agrotech, de Edilberto Rodrigues, com o apoio da holandesa Moriah, empresa de pesquisa especializada no cultivo protegido da qual ambos são sócios.  

Depois de sua visita à Ibiapaba, qual será o próximo passo? – indagou a coluna. Ferry Joan respondeu: 

"Será a assinatura do contrato com a CN Agrotech, por meio do qual os pesquisadores da Moriah virão aqui para testar o solo da Ibiapaba e, também, o de Piquet Carneiro (terra natal de Edilberto Rodrigues). Faremos, nas duas regiões, um projeto piloto com 1 hectare de estufa 'made in Ceará', no qual testaremos vários tipos de sementes de tomate, que será o foco do primeiro investimento. Encerrada a pesquisa, definidas as culturas para o solo de Piquet Carneiro e para o da Ibiapaba, estabeleceremos, então, o tamanho do investimento a ser feito, incluindo a área do projeto, sua definitiva localização e, ainda, a possibilidade de agregar ao empreendimento a parceria com os produtores locais, o que, na minha opinião, será revolucionário." 

O plano piloto do projeto de Johan Ferry e Edilberto Rodrigues será, na opinião dos dois, o caminho pelo qual se obterá o domínio do conhecimento acerca do projeto. Uma estufa, explica o holandês, "tem várias opções para o uso da água, da irrigação, da energia elétrica e da luminosidade natural, que aqui é fantástica; o piloto nos mostrará que tipo de equipamento usaremos no projeto definitivo, uma vez que tudo está diretamente ligado à questão econômica; mas já posso antecipar que aqui quase tudo será diferente do que se faz na Holanda, principalmente na tecnologia".  

Quarta-feira, 28, Ferry Johan reuniu-se, na hora do almoço, com o secretário Executivo do Agronegócio, Sílvio Carlos Ribeiro, que na véspera o acompanhou na visita à Ibiapaba, com o seu sócio Edilberto Rodrigues, com o ex-secretário da SDE, deputado Salmito Filho, e com a prefeita de Piquet Carneiro, Neila Maria Vitoriano de Souza.

O europeu ouviu dos seus anfitriões cearenses a informação de que no solo ibiapabano já se desenvolve a cultura do maracujá sob estufas, as quais são fornecidas por uma empresa de Israel, o que significa que o avanço da cultura protegida naquela região cearense já chama a atenção da indústria estrangeira. 

Sílvio Carlos resumiu assim a visita de Ferry Johan ao Ceará: 

"Eu aposto todas as minhas fichas na viabilidade desse projeto, e antevejo, em um prazo de três anos, a explosão do cultivo protegido no Ceará, principalmente na Ibiapaba. E eu já disse isto ao presidente da Federação da Agricultura, Amílcar Silveira, que de perto acompanha nossos esforços." 

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