Interessadas na compra da Enel são melhor avaliadas que concessionária cearense; veja ranking da Aneel

De acordo com a agência reguladora, apenas a CEEE Equatorial teve uma pontuação pior que a Enel Ceará

A Enel Ceará está pior avaliada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em relação às duas empresas que estão interessadas em comprar a concessionária cearense, a CPFL e a Equatorial.

A distribuidora cearense está em 4º lugar no ranking de reclamações recebidas pela agência reguladora. Dentre as 6 distribuidoras da Equatorial e as 4 unidades da CPFL no Brasil, apenas a CEEE Equatorial, no Rio Grande do Sul está pior classificada que a Enel Ceará, no 3º lugar do ranking.

A lista considera a densidade das reclamações, indicador que mostra a quantidade de reclamações a cada 10 mil unidades consumidoras. Levando em conta o total de queixas dos clientes, a Enel Ceará tem o maior número. 

Ao todo, a Enel Ceará somou 9.649 reclamações entre maio de 2022 e o mesmo mês deste ano. No mesmo período, a CEEE Equatorial teve 7.188 reclamações, o pior número entre as unidades analisadas das duas empresas.

A venda da Enel foi anunciada no final do ano passado. A expectativa é que a transação possa chegar à cifra de R$ 8 bilhões.

Empresas interessadas

A CPFL atua em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, por meio das marcas CPFL Paulista, CPFL Piratininga, CPFL Santa Cruz e RGE. Ao todo, são atendidos cerca de 17,2 milhões de clientes, em mais de 300 mil km de área de concessão.

A Equatorial está presente no Maranhão, Pará, Piauí, Alagoas, Amapá e Rio Grande do Sul. São cerca de 9,8 milhões de clientes atendidos.

A CPFL vem sendo considerada a favorita na disputa, de acordo com apurações de bastidores do Valor Econômico. Isso porque ela teria fôlego financeiro maior, resultado da retenção do pagamento de dividendos.

Este ano, ela irá pagar apenas R$ 2,42 bilhões em proventos, valor que é a metade do esperado pelo mercado considerando o lucro obtido no ano passado. O presidente da CPFL, Gustavo Estrella, teria informado que declarou parcialmente os dividendos relativos ao lucro de 2022 exatamente para segurar o caixa em possível compra da Enel Ceará.

Já a Equatorial vem desenhando a estratégia de crescimento. Em setembro do ano passado, a empresa assumiu o controle acionário de outra distribuidora do grupo Enel, a Enel Goiás. O valor da transação foi de R$ 1,57 bilhão e incrementou a base de clientes da companhia em 3,3 milhões de unidades consumidoras.

ANÚNCIO DA VENDA

A Enel Distribuição Ceará confirmou os planos de venda da companhia pela controladora italiana Enel em novembro de 2022. A alienação da empresa cearense faz parte dos planos e medidas estratégicas para o período de 2023 a 2025.

A decisão foi divulgada em fato relevante. No documento, assinado pelo diretor de administração, finanças, controle e relações com investidores da Enel Ceará, Teobaldo José Cavalcante Leal, a empresa ainda afirma que quaisquer decisões sobre venda e compra de ações pontuais dependerá das decisões dos acionistas. 

"A Companhia esclarece que a conveniência e oportunidade de alienação das ações de sua emissão é decisão que cabe exclusivamente aos seus acionistas. A Companhia informa que, se e quando for o caso, qualquer operação dependerá da obtenção das aprovações necessárias e observará os termos da regulamentação aplicável", destaca a Enel.