O projeto “Céu Único Sul-Americano”, que busca construir um mercado aéreo comum sul-americano, pode trazer novas oportunidades de rotas aéreas internacionais para o Ceará. A análise é do ministro de Portos e Aeroportos (MPOR), Tomé Franca, em entrevista ao Diário do Nordeste.
O acordo, que atualmente conta com a participação de Brasil, Argentina, Paraguai, Chile, Bolívia e Uruguai, tem como objetivo permitir que companhias aéreas dos países integrantes ampliem ofertas de voos nessas nações e reduzam barreiras regulatórias.
De acordo com a pasta, apesar de não trazer iniciativas específicas para estados brasileiros, o projeto deve beneficiar o hub cearense, considerando a aposição estratégica do Estado.
O ministro esteve no Ceará, nessa terça-feira (1º), para a cerimônia de mudança de gestão do Aeroporto Comandante Ariston Pessoa, em Cruz. A Fraport Brasil assumiu, no dia 1º de setembro, a operação do equipamento.
Entenda o acordo do "Céu único" na América do Sul
O Memorando de Entendimento sobre o Acordo de Liberalização Aérea Sul-Americana (Alas), que estabelece diretrizes para a cooperação entre os países na construção do "Céu Único", foi assinado em julho último.
Os países inscritos têm um prazo de 12 meses para elaborar condições que permitam a implementação do projeto de forma unificada entre os participantes, padronizando questões comerciais, fiscais, trabalhistas, ambientais e outras.
“A ideia é que possamos construir um padrão regulatório que mantenha os níveis alcançados no Brasil e que exista uma concorrência leal e saudável entre os países, permitindo atrair voos e companhias aéreas para atuar no Brasil”, ressalta.
Companhias low-cost podem baratear passagens aéreas
Além da ampliação de destinos, de acordo com a pasta, companhias aéreas de países signatários podem passar a realizar voos domésticos em outras nações participantes, tornando trechos mais sustentáveis.
Uma companhia aérea estrangeira com rotas até Fortaleza, por exemplo, pode aproveitar a viagem para realizar novas rotas em destinos locais próximos antes de voltar ao país de origem, e vice-versa.
Franca destaca, ainda, a possibilidade da operação de companhias low-cost (baixo custo) no Brasil, como as em funcionamento no Chile.
A estratégia permitiria que essas empresas adotassem rotas de baixa demanda não atrativas para companhias aéreas maiores, ampliando o acesso do serviço para outras camadas da população.
“É um outro público que terá acesso, são passagens mais baratas”, destaca.