Ronaldo Fenômeno, completou 50 anos de vida em setembro. O homem que redefiniu a camisa 9 e cujo talento foi tão avassalador que o fez comemorar dois aniversários — nascido no dia 18 e registrado no dia 22 de setembro de 1976 — atinge a marca de meio século consolidado como uma das maiores lendas da história do futebol mundial. Falar de Ronaldo aos 50 anos é lembrar de uma trajetória gloriosa, marcada por uma genialidade assustadora, dores profundas e a maior história de superação já vista no futebol.
E os cearenses tiveram o privilégio de ver Ronaldo ao vivo duas vezes, em campo pela Seleção Brasileira, ambos no Estádio Castelão no ano de 2002.
As partidas foram:
Brasil 1 x 0 Iugoslávia (27 de março de 2002)
O jogo foi amistoso antes da Copa do Mundo de 2002 e foi marcante pelo retorno de Ronaldo à Seleção após mais de dois anos afastado por uma grave lesão no joelho.
Além disso, era a reabertura do Castelão ao público, após dois anos em obras. Foram 57.000 pessoas lotando o estádio.
Aquela noite também foi o último contato do torcedor brasileiro com a Seleção antes da concentração e da viagem para o Japão e Coreia do Sul para disputar - e vencer - a Copa do Mundo 2002.
E a atuação de Ronaldo? Foi sem o brilho habitual, com o Fenômeno sendo substituído por Luizão no intervalo, que marcou o gol do jogo.
O Brasil jogou com: Rogério Ceni, Lúcio, Roque Júnior, Ânderson Polga, Cafu, Émerson, Gilberto Silva, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Edilson e Ronaldo.
Brasil 0 x 1 Paraguai (em 21 de agosto de 2002)
Foi um amistoso comemorativo após a conquista do pentacampeonato mundial em 2002. Os 38.641 torcedores que foram ao Castelão se decepcionaram com a Seleção, que perdeu com gol de Cueva, aos 26 minutos do 1º tempo.
Ronaldo jogou apenas 32 minutos, deixando o campo para a entrada de Luizão.
Na partida, o capitão Cafu repetiu o gesto histórico e ergueu a taça do mundial para o público presente no Castelão.
O jogo também significou a despedida do técnico Luiz Felipe Scolari do comando da Seleção Brasileira naquele ciclo.
O Brasil jogou com: Marcos, Cafu, Edmilson, Ânderson Polga, Roberto Carlos, Gilberto Silva, Kléberson, Ricardinho, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Ronaldo.
A carreira de Ronaldo
O Surgimento do Meteoro
Revelado pelo São Cristóvão e projetado para o mundo pelo Cruzeiro ainda aos 16 anos, o jovem franzino e de arrancadas imparáveis marcou 56 gols em 58 jogos pela Raposa. O impacto foi tão imediato que, com apenas 17 anos, ele já integrava o elenco da Seleção Brasileira tetracampeã mundial nos Estados Unidos, em 1994.
O Olimpo Europeu e o Apelido de Fenômeno
Ao cruzar o Atlântico, Ronaldo transformou defensores europeus em meros espectadores de sua velocidade, força e técnica refinada. Passou pelo PSV Eindhoven e, no Barcelona, viveu uma temporada mágica (1996/97). O antológico gol contra o Compostela, arrancando do meio de campo e superando os marcadores à base de pura potência e drible, fez o mundo entender que ele não era apenas um grande jogador: ele era um Fenômeno.
Pela Inter de Milão, alcançou o auge técnico e físico, conquistando o prêmio de Melhor Jogador do Mundo da FIFA aos 20 anos (sendo até hoje o mais jovem a conseguir o feito) e a prestigiada Bola de Ouro.
O Drama e o Milagre de 2002
Nenhuma história gloriosa é feita sem provações, e as de Ronaldo foram dramáticas. Entre 1999 e 2000, o mundo chorou com as graves lesões em seu joelho direito que ameaçaram encerrar sua carreira precocemente. Cientistas e médicos duvidavam de seu retorno ao alto nível. Mas o Fenômeno desafiou a lógica médica e esportiva. Na Copa do Mundo de 2002, com o icônico corte de cabelo "Cascão" e as chuteiras prontas para fazer história, Ronaldo liderou a Seleção Brasileira ao pentacampeonato.
Foi o artilheiro isolado do torneio com 8 gols, balançando as redes duas vezes na grande final contra a Alemanha de Oliver Kahn. Ali, ele deixou de ser apenas um craque para se tornar um mito da resiliência.
Galáctico e o Retorno Triunfal ao Brasil
Consagrado, Ronaldo transferiu-se para o Real Madrid, tornando-se o rosto principal da era dos "Galácticos", onde colecionou títulos e gols antológicos — como o hat-trick em pleno Old Trafford que fez a torcida do Manchester United aplaudi-lo de pé. Após uma passagem pelo Milan, o Fenômeno guardou seu último capítulo genial para o futebol brasileiro. Em 2009, vestindo a camisa do Corinthians, provou que o talento jamais envelhece: mesmo acima do peso e com os joelhos castigados, conquistou o Paulista e a Copa do Brasil, desfilando uma inteligência de jogo genial e gols de cobertura que fecharam sua trajetória nos clubes com chave de ouro.
Meio Século de um Ícone Eterno
Chegar aos 50 anos olhando para trás e sabendo que mudou a forma como a posição de centroavante é jogada é um privilégio para poucos. Ronaldo inspirou lendas como Zlatan Ibrahimović, Thierry Henry e Karim Benzema. Para quem o viu jogar, as arrancadas devastadoras continuam vivas na retina. Para quem não viu, os vídeos parecem efeitos especiais de cinema pela genialidade dele.
Trajetória de Títulos
Bicampeão mundial pela Seleção nas Copas do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, e de 2002, em Coreia do Sul e Japão.
Ele disputou 105 partidas pela Amarelinha e anotou 67 gols, sendo que dois foram mais especiais: na final da Copa do Mundo. Em 30 de junho de 2002, fez os dois tentos da vitória do Brasil sobre a Alemanha, garantindo o Penta para a Seleção.
Além do Mundial, também sagrou-se campeão das Copas Américas de 1997 e 1999 e da Copa das Confederações de 1997. Disputou também as edições da Copa de 1998, na França, e 2006, na Alemanha, e, na época de sua aposentadoria, era o maior artilheiro da competição, com 15 gols.
Prêmios Individuais de R9:
2x Copas do Mundo (1994 e 2002)
2x Bola de Ouro (1997 e 2002)
3x Melhor Jogador do Mundo FIFA (1996, 1997 e 2002)
15 Gols em Copas do Mundo