Membro de torcida do Fortaleza entra para o exército da Ucrânia na guerra contra a Rússia

Cearense fã de armamento realizou o sonho de lutar numa guerra. Com a bandeira do Fortaleza na bagagem

Escrito por Vladimir Marques vladimir.marques@svm.com.br
06 de Outubro de 2026 - 06:00
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Legenda: Rodrigo na Ucrânia na guerra com a bandeira do Fortaleza
Foto: Reprodução / Redes Sociais

Desde pequeno, Rodrigo Ribeiro de Andrade sempre frequentou estádios para apoiar o Fortaleza, seu time de coração. Agora, a 9 mil km de distância, na Ucrânia, ele mantém vivo seu amor pelo Tricolor de Aço, mesmo em um cenário de guerra.

Rodrigo é soldado e defende as forças militares ucranianas na guerra contra a Rússia, iniciada em 2022. Ele chegou ao país no dia 26 de agosto deste ano, e uma das primeiras coisas que colocou na mala foi a bandeira do Leão.

"O amor pelo Fortaleza é incondicional. Tanto que não pensei duas vezes em trazer a bandeira do Fortaleza. Minha vida inteira, desde pequeno, fui criado indo para o estádio", conta Rodrigo, integrante da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), no núcleo do Otávio Bomfim.

Rodrigo trabalhava como motoqueiro de aplicativo e estudou até o ensino fundamental. Mas o cearense sempre foi fã de militarismo e armamentos, então a guerra da Ucrânia foi a oportunidade de realizar um desejo antigo.

Para a família, foi um choque, evidentemente, mas o apoio veio, principalmente de sua mãe. "No começo a minha família não apoiava. Quem ia querer que alguém que ama vá pra guerra? Sempre tive o sonho de vivenciar o militarismo, ter contato com armamento, e eu nunca quis que a minha família me visse no crime".

Duas mães e contatos emocionantes

Rodrigo não teve pai e foi criado pela mãe e avó. Ele diz que tem duas mães, e que é sempre emocionante o contato por telefone.

"A minha mãe está sempre me apoiando, às vezes faz voz de choro, mas também sempre abre um sorriso, diz que está tudo bem, é emocionante. A gente tenta não demonstrar tristeza da saudade e sempre nos manter fortes".

É frequente a alegria do contato virar preocupação quando a ligação cai por um ataque de drone russo ou oscilação na conexão.

"A situação aqui é completamente diferente do que vivia no Brasil, completamente diferente do que eu imaginava que seria. Sabia que seria difícil, claro, é uma guerra. Coisas simples se tornam muito complicadas, como a comunicação com minha família. A  minha família fica muito preocupada também, sempre imaginando o pior. Imagina, do nada, estar em contato com a família, e do nada perde?"

Realidade na Ucrânia e o Fortaleza

Rodrigo se voluntariou para ser soldado na Ucrânia e recebe um salário para isso. Ele não quis revelar, mas afirmou que o valor pode mudar sua vida, ainda que não seja o que comentam.

"Na internet falam muita coisa, se especula demais sobre valores, que é absurdo e tal. Mas não é tanto de dinheiro quanto dizem, mas dá para mudar a situação, mudar a sua vida, mas não é nada extraordinário".

Entre os treinamentos militares na Ucrânia, Rodrigo acompanha o Fortaleza. "Eu tento acompanhar o máximo, mas o treinamento é puxado, o dia todo, quando tem jogo estou treinando. Mas eu vejo o placar, os lances. Ativo o placar e acompanho o Fortaleza". 

Bandeira como símbolo

A bandeira do Fortaleza é um símbolo dele em vídeos que Rodrigo faz nas redes sociais. Ele diz que a conexão com o torcedor do Leão é muito forte.

"Os torcedores do Fortaleza me dão muito apoio. Dá orgulho sabe? Orgulho de reconhecimento torcedores, das pessoas dentro do clube, que me mandam mensagem de apoio, presidente da torcida organizada. Quando cheguei na Ucrânia uma das primeiras coisas que peguei na mão foi a bandeira do Fortaleza. É um símbolo da minha vida inteira, que foi acompanhando o Fortaleza. É gratificante demais trazer a bandeira comigo".

 Além de torcedores do Fortaleza, Rodrigo afirmou que recebeu apoio de todo brasil.

"Recebo apoio de todo Brasil, de todo Ceará. É surpreendente o poder da rede social, recebo apoio de gente de muitas cidades municipios do Ceará. Falam comigo, de dão apoio, claro que tem comentários indesejados, mas foco nos positivos para me darem força".

E o futuro?

Rodrigo diz que sua missão só estará completa na Ucrânia quando a guerra acabar. Mas ele espera voltar a Fortaleza para visitar a mãe e retornar para cumprir seu atual objetivo de vida.

"Minha missão só vai encerrar quando a guerra acabar, mas pretendo voltar pro Brasil para visitar a família. E depois retornar para continuar meu propósito aqui", finalizou ele.

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