Fortaleza detalha plano para venda de até 90% da SAF e promete ouvir torcida

Clube anunciou subcomissões e audiência com torcedores para discutir venda da SAF

Escrito por João Bandeira Neto joao.bandeira@svm.com.br
06 de Outubro de 2026 - 12:47 (Atualizado às 12:53)
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Legenda: Rolim Machado foi eleito presidente do Fortaleza para o triênio 2025-27
Foto: Davi Rocha/SVM

O Fortaleza deu novos detalhes nesta terça-feira (6) sobre o processo que pode levar à venda majoritária das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Em coletiva, a diretoria reforçou que nenhuma negociação está concretizada e que a mudança depende de alterações no estatuto e, posteriormente, da aprovação dos sócios.

A proposta em discussão prevê a possibilidade de venda de até 90% das ações da SAF. A porcentagem, no entanto, ainda não está definida e dependerá de uma eventual negociação com investidores. A diretoria tricolor afirma que o objetivo é abrir caminho para que o clube possa buscar um parceiro no mercado.

O presidente do Fortaleza, José Rolim Machado, explicou que a mudança de postura ocorre após três anos do modelo atual, no qual a associação mantém o controle da SAF e busca um investidor minoritário. Segundo o dirigente, não houve proposta concreta nesse período.

"O valor do clube é muito volátil. Depende da posição em que estaremos na competição, dos jogadores que teremos. É um valor difícil de a gente mensurar agora. Quando chegar o investidor, faremos isso", afirmou Rolim.

O cenário financeiro também pesa na discussão. Em julho, o CEO de futebol do Fortaleza, Pedro Martins, revelou uma dívida de cerca de R$ 300 milhões. Mais recentemente, um estudo apresentado pela consultoria Exa Capital apontou passivo de R$ 395,8 milhões até agosto, incluindo valores vencidos e compromissos futuros. A consultoria indicou a busca por investidores e a negociação com credores como parte da estratégia para enfrentar o cenário financeiro. 

Torcida poderá participar do processo

Durante a coletiva, o Fortaleza anunciou a criação de duas subcomissões para auxiliar nos estudos relacionados à mudança: uma jurídica e outra financeira. Conselheiros e sócios-proprietários interessados poderão se inscrever para contribuir com os trabalhos.

Além disso, o clube pretende realizar uma audiência pública com torcedores. A iniciativa seguirá o modelo das plenárias realizadas em 2023, durante o processo de criação da SAF. A diretoria também informou que será disponibilizado um formulário para que torcedores possam encaminhar sugestões à comissão responsável pela revisão do estatuto. A ideia, segundo o clube, é ampliar a participação da torcida antes de qualquer decisão.

"Nada será decidido sem a participação do torcedor. Todo torcedor poderá encaminhar sugestões para a Comissão de mudança do estatuto", afirmou Eduardo de Salles, presidente da Comissão de Modernização do Estatuto.

Mudança no estatuto é necessária

O atual estatuto do Fortaleza foi aprovado em 2023, quando o clube estruturou a SAF com a possibilidade de buscar um investidor minoritário. Para permitir uma eventual venda de controle, será necessária uma nova alteração nas regras internas do clube.

O primeiro passo é a análise e elaboração de uma proposta pela comissão formada por cinco conselheiros. Caso a mudança seja aprovada pelo Conselho Deliberativo, a matéria ainda precisará ser submetida aos sócios em Assembleia Geral.

Ou seja, a diretoria não poderá simplesmente negociar a venda majoritária da SAF sem passar pelo processo previsto no estatuto.

O Fortaleza também afirma que a mudança estatutária não significa necessariamente que haverá uma venda imediata. A alteração serviria para deixar o clube preparado para uma eventual negociação quando surgir um investidor interessado.

Fortaleza quer ampliar possibilidades no mercado

A diretoria entende que a possibilidade de entrada de um investidor controlador pode aumentar as alternativas financeiras do clube diante do cenário atual. Ao mesmo tempo, o Conselho Deliberativo e a comissão responsável pela revisão do estatuto deverão estabelecer mecanismos para definir as condições de uma eventual operação.

"Temos que dar essa chance para o Fortaleza, de ficar na mesma prateleira de outros clubes brasileiros. Os outros clubes estão se movimentando. Temos que dar uma chance para ir ao mercado. O sócio-torcedor e o sócio-proprietário decidirão isso", declarou José Rolim Machado.

O processo, portanto, ainda está em fase de discussão. Antes de qualquer venda, o Fortaleza terá que concluir a revisão estatutária, passar pelo Conselho Deliberativo e levar a decisão aos sócios. A participação da torcida também será incorporada ao debate por meio das subcomissões, da audiência pública e do formulário que será disponibilizado pelo clube.

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