Cearense sobrevivente da tragédia no CT do Flamengo se destaca na 3ª divisão gaúcha

Cauan Emanuel é cearense e atacante do São Paulo-RS

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
05 de Novembro de 2026 - 19:00 (Atualizado às 23:12)
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Legenda: Cauan em campo pelo São Paulo-RS
Foto: Arquivo Pessoal

O cearense Cauan é um dos sobreviventes do incêndio no Ninho do Urubu, que em 2019 vitimou 10 jovens, todos das categorias de base do Flamengo, com idades entre 14 e 16 anos. Ele não esqueceu da tragédia e de seus amigos, carregando no braço os nomes dos 10 jovens mortos na tragédia e seguindo a carreira de jogador, se destacando no São Paulo-RS, na 3ª divisão.

Na competição, ele marcou seis gols, sendo o vice-artilheiro, ajudando o time da cidade Rio Grande a chegar nas quartas de final, quando foi foi eliminado nos pênaltis.

Mais de sete anos depois da tragédia, as lembranças continuam presentes. E não apenas na memória. No braço, Cauan carrega tatuados os nomes dos jovens que morreram naquela madrugada.

"Eles eram minha família, eram meus irmãos. Acho que era obrigação minha marcar isso no meu corpo, na minha história, na minha cabeça. Assim que eu saí (do hospital), eu só procurei os nomes, nem pensei duas vezes, já tatuei, não me arrependo. É como eu falo, onde eu for, eu vou levar eles comigo", disse em entrevista ao ge. 

Jogador pensou em largar o futebol

Depois da tragédia, Cauan chegou a pensar em desistir do futebol. Primeiro, buscou auxílio psicológico, mas não deu continuidade ao tratamento. Depois, convencido pela família e pelos empresários, retomou o acompanhamento e os planos para a carreira. Segundo ele, o trabalho também ajuda a lidar com o retorno à rotina de alojamentos.

– Eu cheguei a fazer (acompanhamento) depois do incêndio, mas eu dei uma parada, fiquei meio desanimado, não queria mais também nem saber de jogar futebol. Eu sempre tive minha família e meus empresários comigo, me incentivando, para que eu não desistisse.

Cauan foi jogador das categorias de base do Flamengo, onde vivenciou uma tragédia
Legenda: Cauan foi jogador das categorias de base do Flamengo, onde vivenciou uma tragédia
Foto: Arquivo Pessoal

Sem mágoas com o Flamengo

Cauan afirma que não guarda mágoas do Flamengo. Pelo contrário. O atacante diz ter gratidão pela oportunidade que recebeu nas categorias de base e entende que o Flamengo não pode ser responsabilizado sozinho pelo incêndio.

"Eu tenho muita gratidão pelo Flamengo. Eles foram me buscar lá em Fortaleza, no meio de um monte de atletas, de onde poderiam ter saído outros, e só saí eu. Sou muito grato por todo o suporte, por tudo. A gente fica triste por todo o acontecimento, mas a gente também não pode crucificar o clube por uma coisa que eu acho que foi mais imprudência da empresa, do container, do alojamento, do que do próprio Flamengo. Então, meu sentimento pelo Flamengo é de gratidão", disse ele.

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