A diretora dinamarquesa May el-Toukhy ganhou o Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza neste sábado (12) com "Woman Unknown".
O filme conta a história de uma empregada doméstica que sobreviveu à ocupação nazista da Dinamarca durante a Segunda Guerra Mundial. Após a guerra, ela está prestes a se casar com o viúvo para quem trabalha, mas um segredo que carrega ameaça seu casamento.
A atriz que interpreta essa mulher atormentada pelo passado, a dinamarquesa Mathilde Arcel, ganhou o prêmio de melhor atriz.
Oitava mulher a ser coroada no Festival de Cinema de Veneza, May el-Toukhy, ao receber o prêmio, disse que o filme "conta a história de mulheres invisíveis, esquecidas e sem voz".
Embora a realização do longa tenha sido difícil, ela explicou: "O que me motivou foi a necessidade urgente de dar visibilidade às mulheres desconhecidas da nossa história comum, de torná-las conhecidas. Esta noite, sinto que consegui isso".
Falta de representatividade feminina rende críticas
Essa edição foi muito criticada pelo número limitado de diretoras na competição. Além de May el-Toukhy, a outra diretora indicada era a cineasta israelense Rachel Szor, que co-dirigiu o documentário "NAZA" com Yuval Abraham.
Com essa controvérsia ao longo dos 10 dias do festival, a presidente do júri, a atriz e cineasta Maggie Gyllenhaal, quando questionada se esse prêmio era uma declaração política, disse que era "um filme feito de forma brilhante" que ela sentiu "como um raio", mas declarou estar "cansada de falar sobre esse mesmo assunto toda hora".
Brasileiros são premiados em circuito alternativo
O cinema latino-americano, escasso na seleção oficial, triunfou nas seções paralelas dedicadas a novos talentos.
O filme brasileiro "London", de Victor di Marco e Márcio Picoli, dividiu o prêmio Leão Queer com "Queer Edward II", de Theo Rollason, como melhor obra sobre temas e cultura LGBTQIA+ entre todos os filmes do festival.
"NAZA" leva Prêmio Especial do Júri
O Leão de Prata, o segundo prêmio mais importante, foi para "Possible Love", com o qual o diretor sul-coreano Lee Chang-dong retornou ao cinema com uma sutil crítica social tendo como pano de fundo as demissões em massa, oito anos após "Em Chamas".
O cineasta russo Ilya Khrzhanovsky ganhou o prêmio de melhor direção pelo épico histórico "Dau", que narra três décadas de brutalidade e totalitarismo na União Soviética pelos olhos de Lev Landau, um dos maiores físicos do século XX.
O prêmio de melhor ator foi para o americano John Malkovich por seu papel como um veterano agente da CIA em "Wild Nine Horse", uma comédia dramática ambientada na Ilha de Páscoa, no Chile, alguns meses antes do golpe de Augusto Pinochet em 1973.
O documentário "NAZA", feito pelos jornalistas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, sobre as mortes de civis palestinos na Faixa de Gaza, ganhou o Prêmio Especial do Júri.
Abraham e Szor, dois dos quatro diretores do filme vencedor do Oscar "Sem Chão" (No Other Land, 2024), apresentam os depoimentos de 24 membros das forças israelenses que descrevem como realizaram ataques em massa contra civis palestinos em Gaza usando dispositivos criados com inteligência artificial.
O documentário, exibido quase no final do festival, abalou o evento e recebeu 25 minutos de aplausos, um recorde na história do festival, segundo a imprensa especializada.