Jovem autista cearense lança livro de poesia sobre autodescoberta

Blue Pinto tem 17 anos e estreia a trajetória literária, no Dia Mundial do Orgulho Autista (18), com a obra “Humana em Demasia”

Blue Pinto
Legenda: Blue Pinto e seu e-book "Humana em Demasia"

Aos 14 anos, a cearense Blue Pinto abriu uma janela para o infinito de suas possibilidades. Descobriu-se autista após a observação de sua modulação sensorial (apresentando hiper ou hipo sensibilidade a estímulos externos), capacidade analítica, entre outras características. A partir de então, vieram o alívio e a felicidade de saber quem se é. Nesta quinta-feira (18), Dia Mundial do Orgulho Autista, a jovem de 17 anos lança seu primeiro livro, “Humana em Demasia”, com reflexões poéticas sobre essa história.

A relação de Blue com a literatura se intensificou aos 13 anos, mas desde os 8 ela já escrevia seus pensamentos por aí. Cecília Meireles, Dostoiévski e Drummond são alguns dos autores que inspiraram a cearense a trilhar o próprio caminho literário, que já começa imbricado com sua biografia.

“O que me motivou, principalmente, foi aquela questão de você querer se expressar, sabe? E aquela vontade de querer falar pro mundo muito daquilo que é uma nova visão do autismo, até mesmo da dor, porque eu sinto dor, meu corpo dói, literalmente. E aí eu tenho uma nova visão sobre essas coisas”, partilha.

Não existe um dado preciso sobre a quantidade de autistas no Brasil, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 70 milhões de pessoas no mundo tenham algum grau de autismo, sendo 2 milhões residentes em nosso país.

ilustrações blue
Legenda: Ilustrações do livro "Humana em Demasia", também feitas pela autora

O Dia Mundial do Orgulho Autista, criado em 2005 pela organização americana “Aspies for Freedom”, busca, em sua essência, “assegurar que as pessoas com autismo não são doentes, mas sim que elas possuem algumas características próprias que lhes trazem desafios e recompensas únicas”, conforme descrição no site do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Autistando e resistindo

No caso de Blue, integrante do movimento “neurodiversidade”, que partilha exatamente desta ideia, impor os próprios limites foi algo importante nesse processo de autodescoberta. E isso culminou, agora, com essa obra literária, escrita e ilustrada por ela em cerca de um mês.

“Tenho orgulho de ser mais uma que luta nessa sociedade tão excludente. Tenho orgulho de ser eu, ou seja, tenho orgulho ser autista”, destaca ela sobre esse 18 de junho.

A expressão “autistando e resistindo” é usada pela cearense e por outros autistas que se identificam com o perfil neurodiverso. E é exatamente a respeito disso que ela versa quando trata de questões de pertencimento, no livro “Humana em Demasia”.

capa do livro humana em demasia
Legenda: Capa do Livro "Humana em Demasia", primeira publicação de Blue Pinto

Pela plataforma Amazon, o livro está disponível para venda na Loja Kindle, Kindle Unlimited e também pode ser adquirido o exemplar impresso. Além dele, a jovem autora já está trabalhando em uma nova narrativa. “Tenho outro livro vindo aí, ilustrado também, mas agora de poesias mais sobre o eu intrínseco”, adianta Blue. 

No que depender dela, portanto, não faltarão dias para se orgulhar. “Sou autista, artista e gosto de ver a sutil beleza das coisas”, defini-se, disposta a lançar novas lentes para toda a humanidade.

Serviço

Livro Humana em Demasia, de Blue Pinto
2020, 29 páginas
R$ 15 (E-book) e R$36,09 (Impresso)
Disponível para compra na Amazon


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