Há sete dias, um incêndio atinge a região de mata do município de Pacujá, no Interior do Ceará. Uma área de mais de 7 quilômetros quadrados já foi devastada pelo fogo, afetando as comunidades de Bananeira, Boqueirão e Zipu.
Uma força-tarefa composta pelos próprios moradores, pelo Corpo de Bombeiros do Ceará (CBMCE) e pela Defesa Civil tenta debelar as chamas que se espalham pelo território.
Moradores relatam que o primeiro foco de incêndio iniciou no último dia 7 de outubro. A causa do incêndio ainda é desconhecida.
Segundo informações do CBMCE, a corporação foi acionada para a ocorrência no último sábado (10). A região é de difícil acesso, com vegetação fechada e terreno irregular, o que deixa a operação mais complexa.
"Na terça (13), ocorreu a rendição da equipe de bombeiros militares, com a chegada de outros 10 militares para dar continuidade às operações, entre os quais dois especialistas em combate a incêndios florestais", reforçou o Corpo de Bombeiros.
Helicópteros da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) foram utilizados para lançamentos de água sobre a área atingida.
Pedro Allan, prefeito de Pacujá, sobrevoou a região na aeronave e informou ter acionado apoio ao Governo do Estado para conter os danos do incidente.
"Estou aqui na comunidade de Bananeira acompanhando de perto um incêndio que está acontecendo lá no serrote, entre as comunidades de Bananeira e Boqueirão. Esse incêndio acarreta muitos prejuízos, principalmente para as pessoas idosas das comunidades, para os animais e para a vegetação. A gente está unindo forças para que esse incêndio seja contido o mais rápido possível", afirmou ele em um vídeo publicado no Instagram.
O prefeito ressaltou que os moradores da comunidade também estão empenhados em apagar o fogo e alertou para o crime ambiental das queimadas.
População vulnerável sofre com fumaça
Janiel Medeiros, secretário da Associação Comunitária Rural de Zipu (ASCRZI), em Pacujá, explicou que, no primeiro dia, houve uma ação coletiva da comunidade que se empenhou para tentar debelar as chamas, no entanto, o fogo surgiu novamente no dia seguinte e tomou grandes proporções.
"A gente montou um mutirão no último sábado, que foi a segunda ação coletiva onde 16 homens atuaram na mata de madrugada até por volta de meio-dia, sem conseguir controlar o fogo, até que acionamos os Bombeiros e a Defesa Civil", conta.
Segundo o secretário, a população está sofrendo com a fumaça, incluindo crianças, idosos, mulheres e pessoas acamadas, especialmente na comunidade Bananeira.
Ele diz que os focos de incêndio surgiram em diferentes áreas. Equipes dos municípios de Sobral, Camocim, Ubajara, Tauá, Iguatu e outras cidades da região vieram a Pacujá, inclusive bombeiros civis, para ajudar na ação.
"São mais de 20 homens trabalhando na mata. A nossa preocupação é que os rapazes que estão ajudando na comunidade, vários homens que estão trabalhando no fogo diariamente estão cansados, já são pelo menos 4 dias trabalhando, a gente não tá conseguindo revezar", lamenta Janiel.
Essa demora mata bicho, mata planta, acaba com possíveis fósseis, destrói a natureza e afeta pessoas desse território. Todos esses dias foi de muita fumaça, pras pessoas inalando. A gente tem a preocupação nos próximos dias com a saúde dessas pessoas, para que ninguém faleça, para que a gente não tenha uma tragédia maior do que já é".
A associação comunitária ressalta a importância de convocar mais pessoas para auxiliar no carregamento garrafas de água e equipamentos.
"Oferecemos serviços de saúde, alimentação completa, hidratação e pontos de apoio e descanso. Você que é bombeiro civil ou conhece alguém que seja, venha ajudar a proteger animais e plantas e a vida de uma comunidade inteira", diz a mensagem na instituição.
Características da vegetação dificultam operação, diz Corpo de Bombeiros
Para a execução dos trabalhos, foram utilizados equipamentos e ferramentas como motos-sopradores, foices e facões, visando a contenção do avanço do fogo e a redução dos riscos de propagação para as áreas adjacentes e comunidades ameaçadas.
Segundo os Bombeiros, as características da vegetação local desafiam a operação.
"Entretanto, as operações continuam sendo dificultadas pelas características da vegetação local. A vegetação da Caatinga encontra-se bastante desidratada em razão das condições ambientais, apresentando queda acentuada das folhas e formação de uma espessa camada de serrapilheira sobre o solo. Esse material vegetal seco favorece a combustão e a propagação do fogo, além de dificultar a identificação e a extinção de focos remanescentes, que podem permanecer ativos sob a camada de folhas e matéria orgânica", explicam os Bombeiros.
"Diante desse cenário, as equipes permanecem empenhadas nas ações de combate, estabelecimento de linhas de defesa e contenção do avanço do incêndio, priorizando a proteção das comunidades ameaçadas e a segurança dos profissionais e colaboradores envolvidos na operação", destaca a corporação.