No Ceará

Em 12 anos, fluxo de turistas cresceu 61,9%

Com operações do hub e início de outros voos, Estado prevê um salto ainda maior do fluxo nos próximos anos

01:00 · 28.04.2018
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O impacto das atividades do turismo no Estado passou a corresponder 11,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará no ano passado, segundo dados da Setur, frente à participação de 9,4% em 2016 ( Foto: JL Rosa )

Um dos principais segmentos da atividade econômica do Estado, a cadeia produtiva do turismo passou por um grande crescimento na última década e prevê dar um salto ainda maior nos próximos anos, a partir da ampliação de voos nacionais e internacionais previstos a partir do Aeroporto Internacional Pinto Martins, ou Fortaleza Airport, e da retomada do poder de compra da população brasileira. 

O governador Camilo Santana já chegou a dizer que, com o início das operações do hub da Air France/KLM-Gol no Aeroporto, novas operações a serem anunciadas pela Latam, ainda a serem anunciadas, e novos voos internacionais de diferentes companhias, o Estado projeta ampliar em cinco vezes o atual fluxo de turistas do Estado. Caso isso venha a acontecer, o Ceará passaria a receber cerca de 17 milhões de visitantes por ano.

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De acordo com dados da Secretaria de Turismo do Estado (Setur), nos últimos doze anos, o fluxo de turistas que visitaram o Ceará cresceu 61,9%, passando de 2,1 milhões de pessoas em 2006 para 3,4 milhões no ano passado. Já a movimentação no Aeroporto quase dobrou no período, partindo de 3 milhões de embarques e desembarques de passageiros em 2006 para 5,9 milhões em 2017. 

Com mais turistas, maior o volume de dinheiro injetado na economia local. Segundo a Setur, os visitantes somaram gastos no valor de R$ 2,5 bilhões em 2006, que passou para R$ 9 bilhões em 2017, um crescimento nominal (sem contar com a inflação) de 260% em 12 anos. Além disso, o impacto das atividades do turismo passou a corresponder 11,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará no ano passado, frente a 9,4% em 2016. 

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Esse crescimento se deu também em parte pelo aumento do tempo de permanência dos turistas, cuja média passou de 9,0 para 9,7 dias em doze anos. Em toda a viagem, os visitantes passaram a gastar, em média, de R$ 1.214,63 em 2006 a R$ 2.151,12 em 2017, um crescimento nominal de 77,1%. Já a média de gasto diário por pessoa passou de R$ 134,51 para R$ 273,38 no período analisado. 

Até o fim de 2017, dados da Setur mostram que 179.925 pessoas estavam empregadas nas principais atividades características do turismo (alojamento, alimentação, transportes, auxiliar de transportes, agências, aluguel de turismo e recreação) no Ceará. Ao todo, 52 setores da economia estão ligados à área. 

Destino consolidado 

De acordo com Valdo Mesquita, coordenador de Destinos e Produtos Turísticos da Setur, os dados mostram que o Estado é um destino turístico consolidado, com potencial de crescer ainda mais com as novas conexões aéreas em Fortaleza. Além disso, ele destaca que a construção de equipamentos, como o Centro de Eventos (CEC), reduziu a dependência do segmento aos períodos de alta estação. 

“O Centro de Eventos promoveu uma enorme dinâmica, ajudando em um problema seríssimo de sazonalidade. Com o novo espaço, em 2012, houve grande demanda que não se restringe à alta estação - foram 120 eventos realizado em 2017, com congressistas que utilizam a rede hoteleira, táxis e têm um gasto muito grande dentro dessa cadeia do turismo”, aponta. 

Com a dinamização do turismo de negócios no Estado, Mesquita aponta que o número de empresas especializadas na coordenação de eventos passou de 60, à época da inauguração do CEC, para 390 hoje. “Além disso, enquanto alguns estados estão fechando hotéis, a gente está abrindo novos, indo contra a maré. A nossa oferta hoteleira passou de 24 mil UHs (unidades habitacionais) em 2006 para 35,6 mil em 2017”. 

Ele destaca ainda a crescente oferta de unidades para aluguel por temporada na Capital. Segundo levantamento da secretaria, há mais de 1200 estabelecimentos para essa finalidade na área dos bairros Meireles, Mucuripe e Praia do Futuro. “Com o cenário atual, o Estado com certeza vai ter um grande avanço na hotelaria e em negócios da atividade do turismo”, prevê. 

Jericoacoara 

Uma das principais atrações do Estado, a praia de Jericoacoara mantém média de ocupação acima de 85% após a inauguração do aeroporto, segundo Mesquita. “Em feriados prolongados, a taxa de ocupação chega a acima de 90%, o que é excelente. Além disso, Jeri era classificada como a categoria B pelo Ministério do Turismo e, recentemente, subiu pra categoria A”, aponta. 

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