O ex-governador do Ceará Cid Gomes é um dos 200 políticos que aparecem na lista da Odebrecht, divulgada nesta quarta-feira (23) e que foi apreendida na 23ª fase da Operação Lava-Jato. O nome de Cid aparece na relação ao lado do codinome “Falso” e do valor de R$ 200 mil.
>Acesse lista que aparece o nome de Cid
Os valores listados no documento não atestam a realização de pagamentos irregulares. Dados disponibilizados no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, em 2010, o diretório do PSB no Ceará, partido de Cid na ocasião, recebeu uma doação de R$ 200 mil da Construtora Norberto Odebrecht S/A no dia 14/09/2010 através de transferência eletrônica.
A doação registrada faz parte da prestação de contas de campanha. No documento divulgado nesta quarta, o valor associado a Cid é referente ao dia 19 de setembro. Não é possível saber se o valor relacionado na planilha da Odebrecht é o mesmo apresentado ao TSE. O material ainda será avaliado pela Polícia Federal.
Procurada pela reportagem, a assessoria do ex-governador informou que o valor citado na lista é referente a uma doação oficial para o diretório estadual do PSB e foi declarado ao TSE. "A propósito da divulgação de uma lista de doações realizadas pela empresa Odebrecht, o ex-governador Cid Gomes esclarece que em 2010 a empresa realizou uma doação oficial no valor de R$ 200 mil para o diretório estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB) no Ceará. O montante foi devidamente declarado e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seguindo todas as normas eleitorais", diz a nota.
Entenda o que é a lista
A lista está entre os documentos apreendidos pela Polícia Federal na residência do presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Silva Junior, no Rio de Janeiro. A relação mostra uma série de planilhas com nomes de políticos e partidos associados a pagamentos da empreiteira.
A devassa da Polícia Federal na residência de um dos executivos-chave do esquema de propinas na empreiteira rendeu um total de sete arquivos onde aparecem inúmeras planilhas e tabelas, algumas separadas por Estados e regiões do Brasil e outras por partidos, com nomes dos principais políticos do País.
Também há inúmeras anotações manuscritas fazendo referência a repasses para políticos e partidos, acertos com outras empresas referentes a obras e até documentos sobre "campeonatos esportivos", que lembram documentos semelhantes já encontrados na Lava-Jato e revelaram a atuação de cartel das empreiteiras em obras na Petrobras.
Nos documentos, contudo, não há nenhum indicativos que os pagamentos sejam irregulares ou fruto de caixa 2 e tampouco a Polícia Federal teve tempo para analisar a vasta documentação.
Era na Odebrecht Infraestrutura que funcionava o setor de "Operações Estruturadas", que as investigações revelaram ser o departamento da propina na empresa, no qual funcionários utilizavam um moderno software de gerenciamento de contratos e pagamentos para fazer a "contabilidade paralela" da empresa, que incluía entregas no Brasil e também transferências em contas no exterior. Diferente das planilhas encontradas naquele setor, contudo, os documentos que estavam na residência de Benedicto não possuem codinomes para se referir a políticos.
Moro decreta sigilo
O juiz Sergio Moro, que conduz os processos da Lava-Jato, decretou o sigilo dos autos que contêm as planilhas da Odebrecht com os nomes de 200 políticos. Em despacho, o juiz também intima o Ministério Público Federal que se manifeste "com urgência" sobre o envio do documento ao STF (Supremo Tribunal Federal). "Para continuidade da apuração em relação às autoridades com foro privilegiado", afirmou o juiz.