Polícia pede novamente prisão de dono de Porsche que matou motorista de app em acidente

O delegado responsável pelo caso, Nelson Vinicius Alves, utiliza no novo pedido três argumentos

A Polícia Civil de São Paulo solicitou, novamente, à Justiça a prisão preventiva do empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, de 24 anos. O jovem conduzia o veículo Porsche que colidiu, na noite do último sábado (30), com um Renault Sandero e vitimou o motorista de aplicativo, Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos. As informações são do g1.

O acidente ocorreu na Avenida Salim Farah Maluf, em São Paulo. Esse é segundo pedido de prisão, que agora aguarda a determinação de um juiz. O primeiro protocolo para manter o empresário privado de liberdade foi negado pela juíza Fernanda Benevides. 

Segundo ela, "ocorre que, no caso em tela, a autoridade policial sequer narrou a necessidade da prisão pela qual representou, limitando-se a sustentar a gravidade dos fatos e o clamor público por Justiça. Não esclareceu a representante porque a medida cautelar seria necessária para as investigações, tampouco mencionou não ter o indiciado residência fixa ou não ter esclarecido sua identidade". 

O delegado responsável pelo caso, Nelson Vinicius Alves, utiliza no novo pedido três argumentos:

  • garantia da ordem pública (motorista poderia cometer o mesmo crime de novo);
  • conveniência da instrução criminal (investigado poderia ameaçar ou subornar testemunhas ou vítimas);
  • garantia da futura aplicação da lei penal (risco de fuga do país pelo alto poder aquisitivo).

Parecer favorável 

Um novo parecer favorável a prisão do empresário já foi emitido pela promotora de Justiça Monique Ratton. Além de expedição do documento, ela também solicitou a suspensão da habilitação de Fernando e apreensão do seu passaporte. 

Uma fiança de R$ 500 mil também foi estipulada pela promotora, de acordo com ela, o investigado possui uma alta capacidade financeira, sendo sócio de uma construtora na capital paulista.

“Segundo as apurações em andamento há indícios claros de que [Fernando] não só dirigiu em alta velocidade, mas teve atitude totalmente descompromissada com a vida própria, do amigo e de terceiros, colocando toda a sociedade em risco ao dirigir em péssimas condições e em alta velocidade com um carro de tamanha potência, mesmo após já ter sido punido administrativamente com a suspensão da CNH.[O investigado] não só assumiu risco de matar, como efetivamente causou a morte de alguém na direção do veículo automotor e deixou outra internada com complicações sérias”, declarou a promotora no parecer", afirma o texto de Ratton. 

Testemunhas

Em entrevista à TV Globo, nessa sexta-feira (5), uma testemunha do caso confessou ter visto três garrafas de vidro dentro do Porsche do empresário. Apesar de afirmar isso à imprensa, a declaração da mulher não consta no depoimento prestado para Polícia Civil, na terça-feira (2). 

Além dela, a namorada de Marcus, amigo de Fernando, que está entubado e internado em coma induzido na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Luiz Anália, ressaltou que o empresário e a namorada, além de tomarem "alguns drinks", discutiram na noite do acidente. 

Segundo ela, Fernando discutiu com sua namorada, porque esta não queria deixá-lo dirigir. Foi então que o amigo se ofereceu para levar o veículo, no entanto, o empresário não acatou os pedidos dos amigos e resolveu dirigir mesmo assim a Porsche. 

Juliana e a namorada de Fernando foram em outro carro, um Audi Q5. Eles iam deixar o empresário na cada dele, porém, no caminho, Fernando Filho acelerou e as duas perderam o Porsche de vista. Durante o trajeto, Juliana ligou para Marcus, que revelou ter "sofrido um acidente". 

As duas namoradas foram ao local da batida. Ao chegar à cena, viu Fernando sentar no chão em "estado de choque", enquanto o namorado dela, Marcus, caiu no chão por "sentir muitas dores". 

Juliana ainda disse que tentou ajudar Ornaldo, iluminando a cena com a lanterna do celular e chamando a ambulância. Porém, voltou para perto do namorado, pois outras pessoas já ajudavam o motorista de aplicativo. 

O caso foi registrado como homicídio doloso, lesão corporal culposa na direção de veículo automotor e fuga de local de acidente. Fernando Filho não fez o teste de bafômetro na madrugada, pois deixou a cena acompanhado da mãe dele. 

Fuga

A decisão de liberar Fernando sem a realização do teste do bafômetro foi dos policiais militares que atenderam a ação. Conforme os agentes, a mãe do investigado, Daniela Cristina de Medeiros Andrade, também foi ao local do acidente e disse que levaria o filho para tratar de um ferimento num hospital. 

Todavia, quando os PMs chegaram à unidade médica não encontraram nenhum dos dois. A Corregedoria da PM agora apura se houve erro no procedimento adotado pelos policiais. Imagens das câmeras dos agentes também já foram solicitadas para análise.