Perícia da Polícia Civil de MG aponta presença de substância tóxica em cervejas artesanais da Backer

A cerveja Backer negou que, a bebida possa ter relação com os sintomas apresentados pelos pacientes

A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou, nesta quinta-feira (9), por meio de laudo, a presença de uma substância tóxica em duas garrafas de cerveja artesanal da marca Belorizontina, da Backer, encontradas em casas de pacientes internados com sintomas de uma síndrome desconhecida. Segundo a polícia, a substância é denominada dietilenoglicol, utilizado em serpentinas no processo de refrigeração de cervejas.  A polícia informou que o laudo ainda é preliminar e que não pode confirmar a responsabilidade da empresa na intoxicação. A perícia foi realizada no Instituto de Criminalística da Polícia Civil.

Devido a intoxicação, sete pessoas estão internadas com sintomas em hospitais particulares em Belo Horizonte e em Nova Lima, na Região Metropolitana. Uma morreu.

Após a constatação da presença da substância, agentes estiveram na sede da Backer, no bairro Olhos D'Água, na Região Oeste de Belo Horizonte, nesta quinta. A empresa disse que colabora com as investigações. Um inquérito foi aberto para apurar se há crimes ligados ao caso e as circunstâncias da morte de um dos pacientes.

Consumidores que tiverem cervejas destes lotes não devem consumi-las. Elas podem ser encaminhadas às autoridades.

Empresa nega intoxicação

Por meio de nota, a empresa de cerveja artesanal Backer, negou que, a bebida possa ter relação com os sintomas apresentados pelos pacientes e declarou que as mensagens são mentirosas. A empresa disse ainda que a substância encontrada não faz parte do processo de produção da cerveja Belorizontina. Os lotes serão recolhidos do mercado por precaução.

Já a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) disse que "reforça a informação da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) de que as hipóteses para o surgimento da síndrome nefroneural ainda não foram esclarecidas. Ressaltamos que as normas para abertura e manutenção de fábricas de cervejas são bastante rigorosas a fim de evitar qualquer dano a saúde".

O presidente da Abracerva, Carlo Lapolli, o glicol é usado num circuito fechado para gelar os tanques e não tem contato direto com o produto. Segundo ele, a maioria das cervejarias usa água filtrada com álcool puro.

Cervejaria artesanal premiada
A Backer conquistou o título de melhor cervejaria do continente na Copa Cervezas de América. O torneio, um dos mais importantes do calendário internacional, foi disputado em setembro. A cervejaria de Belo Horizonte faturou ainda quatro medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze com diferentes rótulos.