ONU alerta que o fim da guerra no Iêmen não bastará para salvar crianças

Diretor do Unicef para o Oriente Médio e norte da África falou do subdesenvolvimento do país mais pobre da região

O fim da guerra no Iêmen não será suficiente para salvar as crianças deste país, alertou nesta quinta-feira (1) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), enquanto os Estados Unidos insistem em retomar as negociações entre os envolvidos no conflito.

"O que precisamos é acabar com essa guerra e (estabelecer) um mecanismo governamental que se concentre nas pessoas e crianças", declarou Geert Cappelaere, diretor do Unicef para o Oriente Médio e norte da África.

"Acabar com a guerra não é suficiente", insistiu ele, lembrando que o conflito "exacerba uma situação já ruim depois de anos de subdesenvolvimento" no país mais pobre da região.

Dos 14 milhões de iemenitas ameaçados pela fome, mais da metade são crianças, disse Cappelaere.

"Hoje, 1,8 milhão de crianças com menos de cinco anos estão em situação de desnutrição aguda", acrescentou.

Mais de 6.000 crianças morreram ou foram feridas desde o início da intervenção, em março de 2015, de uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, em apoio ao governo iemenita.

"Esses são números que pudemos verificar, mas podemos dizer com certeza que a realidade é muito pior", disse ele.

Segundo a ONU, o conflito causou quase 10 mil mortes, a maioria de civis, e desencadeou a pior crise humanitária do mundo. 

A guerra do Iêmen opõe as forças pró-governo e a coalizão aos rebeldes huthis, apoiados pelo Irã, que conquistaram grandes áreas do país em 2014 e 2015, incluindo a capital, Sanaa.

A Arábia Saudita foi acusada em várias ocasiões de ter cometido erros que custaram a vida de centenas de civis.

Na terça-feira, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis, exigiu o fim dos bombardeios da coalizão liderada por Riad e convocou negociações de paz em 30 dias.

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