Entre 2021 e 2026, o sistema prisional do Ceará registrou uma média de 30 ataques de drone por dia. O número foi repassado à imprensa pelo secretário da Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado (SAP), Mauro Albuquerque, nesta quarta-feira (14), durante o anúncio de novos investimentos para a área.
O pico dos ataques ocorreu entre 2024 e 2025, de acordo com Albuquerque, mas ele não detalhou os dados. Disse apenas que, nesse período, foram presos 29 pilotos de drones e que os ataques caíram para a média de um por semana.
"Só do ano passado para cá, abatemos 38 drones e 29 pilotos foram presos. [...] Nós pegamos a faixa de 500 aparelhos [de celular] antes que entrassem no sistema prisional. Então, é um ganho muito grande com a tecnologia", compreende o secretário.
Ele disse ainda que, com a chegada dos aparelhos de varredura, doados ao Estado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que permitem localizar componentes eletrônicos mesmo desligados e identificar sinais de dispositivos de comunicação, será possível "apreender qualquer celular que seja ligado" dentro do presídio.
O recurso tecnológico, inclusive, reduz a necessidade de quebrar paredes, pisos e outras estruturas das penitenciárias para localizar dispositivos eletrônicos escondidos pelos detentos.
Investimentos federais na segurança pública do Ceará
O Ceará recebeu, nesta quarta-feira, um georradar, três drones e três kits de varredura eletrônica. Até o fim do ano, serão entregues mais equipamentos, o que garante um investimento federal de cerca de R$ 23 milhões para reforçar a segurança prisional no Estado.
Os novos aparelhos darão suporte à polícia penal cearense em pelo menos nove presídios, que passarão a ter padrão de "segurança máxima".
Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), o georradar auxilia na detecção de túneis, cavidades e alterações no solo e em estruturas que possam comprometer a segurança das unidades prisionais. Já os drones são equipados com sensores térmicos e alcance de 1,5 quilômetro de altura, enquanto os kits de varredura são capazes de localizar componentes eletrônicos mesmos desligados e identificar sinais de dispositivos de comunicação.
O novo aparato tecnológico da SAP também conta com aparelhos de raio-X, scanners corporais, detectores manuais de metal e viaturas-cela.