Fraude em importações leva PF a realizar duas operações no Ceará; empresários são alvo de prisão

Além dos empresários, consultores e despachantes aduaneiros declaravam mercadorias em valores inferiores ao que foi pago e as diferenças seriam direcionadas ao exterior por meio de doleiros, segundo a investigação

Em conjunto com a Receita Federal, a Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (17), duas operações simultâneas - Ásia 1 e 2 -, que investigam crimes contra a ordem tributária, como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, associação criminosa, falsidade ideológica e descaminho, supostamente praticados por empresários, consultores e despachantes aduaneiros no Ceará. Ao todo, estão sendo cumpridos 35 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária contra empresários, em Fortaleza, Eusébio e São Gonçalo do Amarante. 

A apuração em dois inquéritos policiais distintos foi demandada a partir do resultado das investigações, segundo as quais vários grupos empresariais estariam envolvidos nos crimes. A PF constatou haver um conluio entre proprietários de empresas importadoras de Fortaleza, com vários despachantes aduaneiros e consultores em comércio exterior, em um esquema continuado de subfaturamento de mercadorias importadas e oriundas principalmente de países asiáticos, com destaque para a China. 

As importações seriam declaradas às autoridades aduaneiras sempre em valores inferiores ao que foi pago e as diferenças de pagamento seriam direcionadas ao exterior por meio de doleiros. Com isso, milhares de reais deixaram de ser cobrados em tributos. 

Na Operação Ásia 1, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão, nos municípios de Fortaleza, Eusébio e São Gonçalo do Amarante, sendo 8 nas residências das pessoas físicas investigadas e outros 7 nos endereços das empresas.

Na Ásia 2, foram cumpridos, na capital cearense, 2 mandados de prisão temporária em desfavor dos principais sócios-administradores das empresas importadoras, e 20 mandados de busca e apreensão nos endereços das pessoas jurídicas e nas residências de despachantes, também em Fortaleza e em São Gonçalo do Amarante. 

Os nomes dos investigados e das empresas supostamente envolvidas não foram divulgados. 

Mais de 130 policiais federais e 40 auditores fiscais participaram das duas operações, cujas ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Federal do Ceará.