Disputa no Cariri começa com fragmentação de pré-candidaturas

Aliados do governador Camilo Santana devem se enfrentar nas maiores cidades da região (Crato, Juazeiro e Barbalha), contudo, nenhuma aliança é descartada até a data final das convenções partidárias, em setembro

Legenda: Movimentada a disputa eleitoral na região do Cariri
Foto: Ascom/TSE

As articulações partidárias para a disputa pelas prefeituras da região do Cariri estão avançadas. Apesar dos partidos terem até setembro para definir as candidaturas para as prefeituras da região, muitos já lançam pré-candidatos, e o jogo vai ficando cada vez mais fragmentado.

Os partidos que compõem a base aliada ao governador Camilo Santana (PT) - cujo berço eleitoral é o Cariri - devem protagonizar a corrida do voto na maior parte dos municípios, mas a oposição ao Governo estadual também tenta viabilizar candidaturas para as prefeituras da região.

O Cariri é formado por 29 municípios, segundo legislação aprovada em 2015. No total, são mais de 734 mil eleitores em disputa pelos partidos. Os três maiores municípios da região - Barbalha, Crato e Juazeiro do Norte - devem despontar como prioritários para as legendas, mas outras cidades também estão no radar das lideranças estaduais.

Juazeiro

Em Juazeiro do Norte, maior colégio eleitoral do Cariri, a principal disputa deve ocorrer entre partidos da base aliada a Camilo Santana. Com mais de 174 mil eleitores, o município é um polo calçadista no Estado e referência religiosa no País. O atual prefeito, Arnon Bezerra (PTB), é pré-candidato à reeleição. Segundo ele, o foco tem sido a administração da cidade, principalmente com a pandemia de Covid-19 - que tem números alarmantes em Juazeiro.

"Mas nós estamos conversando com alguns segmentos. Não estamos fechando apoio, mas buscando quem pode contribuir para o projeto para Juazeiro", explica o prefeito que é também presidente estadual do PTB. A fragmentação de candidaturas na cidade "não é boa", afirma ele. Com antigos aliados sendo lançados como opositores, Bezerra lamenta que "divergências pessoais tenham despertado interesses".

Ele prefere não citar nomes, mas afirma que "desejos pessoais são legítimos" e que não leva as questões para "o nível pessoal". Dentre os opositores, está o vice-prefeito de Juazeiro, Giovanni Sampaio (PSD), que rompeu com Arnon Bezerra no final de 2019.

Presidente estadual do PSD, Domingos Filho, explica que Sampaio é o pré-candidato do partido, mas existem diálogos com outros legendas. "Todos os partidos estão também tratando sobre composição e em todos os municípios do Cariri tem processo de alianças em curso", afirma. A única certeza, segundo ele, é de "não votamos no Arnon", ressalta.

A preferência, neste caso, é para legendas que façam parte da base governista. Dentre elas, pelo menos três pré-candidaturas já estão postas. O ex-prefeito Raimundo do Mâcedo, o Raimundão, pode disputar pelo MDB. Enquanto pelo PDT, o segundo colocado nas eleições de 2016, Gilmar Bender, deve voltar à disputa.

Após não ter candidatura em 2016, com parte apoiando Arnon Bezerra e outra Gilmar Bender, o PT teve uma disputa interna para decidir quem seria o pré-candidato em Juazeiro. Presidente estadual da legenda, Antônio Conim dá a questão como resolvida. Após decisão da Executiva nacional da legenda, Gabriel Santana, que já foi candidato a vice-prefeito e é suplente de deputado estadual, foi definido como pré-candidato.

O deputado estadual Nelinho (PSDB) deve ser a aposta tucana para a disputa pela Prefeitura de Juazeiro. O PSL, por sua vez, está "alinhando boas conversas" com o prefeito Arnon Bezerra, segundo o presidente do partido, Heitor Freire. Pelo Podemos, o vereador Gledson Bezerra lançou a pré-candidatura.

O parlamentar deve ter apoio do Pros, após a legenda desistir da candidatura em Juazeiro. O radialista Francisco Fabiano, que seria o pré-candidato do Pros, desidratou o partido "e acabou inviabilizando a própria candidatura", explica o presidente estadual da legenda, Capitão Wagner.

Oposição

Em Barbalha, o prefeito Argemiro Sampaio (PSDB) é pré-candidato à reeleição. Ele deve reunir PSL e Pros no arco de aliança para a disputa eleitoral. Segundo Wagner, "cresce a possibilidade de indicação do vice" pelo Pros na chapa da situação.

No município, PT e PDT estão em conversa avançada em torno do nome do pedetista Dr. Guilherme Saraiva, do PDT. Caberia à legenda petista indicar o vice para a chapa. A cidade-natal do governador Camilo Santana deve ter grande influência dele nas decisões e na campanha política.

A aliança entre os dois partidos deve se repetir no Crato, onde o prefeito Zé Ailton Brasil se filiou ao PT para disputar a reeleição. O vice-prefeito, André Barreto (PDT), deve voltar a integrar a chapa na pré-candidatura.

O PSDB também pode disputar a prefeitura do município. O principal nome tucano ventilado para a disputa é do ex-vice-prefeito do Crato, Raimundo Bezerra Filho. Mas o partido ainda conversa com outras siglas sobre a formação de chapa. O Pros também deve lançar uma candidatura de oposição à atual gestão com o pré-candidato Aloisio Brasil, primo do atual prefeito.

O PSD também articula uma pré-candidatura. O ex-prefeito da cidade, Zé Adega, é o nome mais forte, mas a legenda não descarta diálogos com outros partidos. O PSL é um dos partidos que está dialogando com a legenda e pode indicar o vice na chapa para a Prefeitura do Crato.

Governo

O apoio do governador é citado como importante pelos dirigentes partidários. Contudo, a maioria deles mostra entendimento que, com partidos da base governista disputando o Executivo, a tendência é de que Camilo Santana fique distante da campanha eleitoral.

"Nós entendemos a amplitude do Governo dele. Então, tem município em que ele diz que não vai poder interferir e a gente fica à vontade", explica Antônio Conim. André Figueiredo completa: "onde nós tenhamos candidatos que apoiaram o governador, ele não deverá entrar na campanha. Quando não houver, ele estará envolvido", afirma.

Atribulado

Na Região Metropolitana do Cariri, dois municípios passaram por um processo de afastamento dos gestores eleitos em 2016. Em Santana do Cariri, o Tribunal Regional Eleitoral cassou a chapa formada por Danieli de Abreu Machado (PSL) e Juracildo Fernandes da Silva (PCdoB). Ambos foram afastados em abril de 2018 e, com a decisão do pleno, novas eleições foram realizadas no Município.

A disputa deste ano deve repetir a protagonizada nas eleições suplementares no município, em junho de 2018. Na época, Pedro Henrique (MDB) venceu a disputa, tendo como vice-prefeita Maristela Sampaio, por uma margem de apenas 15 votos. Em 2020, ele deve voltar a competir pela Prefeitura com o segundo colocado, Vicente Brilhante (PDT). Segundo André Figueiredo, a intenção é unificar os partidos de oposição em torno da candidatura de Brilhante. Contudo, nada está fechado ainda.

Em Nova Olinda, o prefeito eleito, Afonso Sampaio (PSDB), está afastado do cargo desde o início do ano passado. A decisão partiu da Câmara de Vereadores do Município, para realizar investigações sobre a compra do combustível para a frota de veículos da Prefeitura no período 2017-2018 atendeu os trâmites legais. O legislativo chegou a cassar o mandato de Sampaio, mas a questão está agora em tramitação do Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

Domingos Filho explica que, caso a Justiça decida de maneira favorável a Sampaio, ele passa a ser o candidato natural do PSD para a Prefeitura do Município. Caso contrário, "é desenhar com o partido e com a oposição quem será o candidato", afirma. O prefeito empossado, Ítalo Brito (PP), também deve concorrer ao cargo. Entre as alianças firmadas, a com o PSDB.