Terceira via: Ciro precisa convencer partidos de que é mais competitivo que Moro

A filiação do ex-juiz ao Podemos movimentou o ambiente político e joga pressão sobre Ciro

Estancado nas pesquisas de intenção de voto na corrida presidencial, Ciro Gomes (PDT) tem um novo desafio pela frente: na queda de braço pelo protagonismo da chamada "terceira via", precisa convencer o mercado e os partidos do centro de que é mais viável eleitoralmente do que o ex-juiz Sergio Moro (Podemos).

Institutos de pesquisa menos tradicionais já trazem números em que o ex-ministro de Bolsonaro chega ao terceiro lugar na corrida presidencial com dois dígitos — atrás de Lula e Jair, respectivamente.

Nas próximas semanas, novos números devem ser publicados confirmando ou refutando essa tendência. Independente do que os institutos trouxerem daqui pra frente, o fato é que o anúncio de filiação do ex-juiz movimentou o ambiente político.

Moro surfa entre o eleitorado de direita insatisfeito com o atual governo e pode ganhar terreno com parte do centro — campo desejado por Ciro. 

Nos últimos dias, o ex-juiz deu diversas entrevistas, fez encontros com lideranças políticas, como o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), e filiou o ex-ministro de Bolsonaro, general Santos Cruz ao seu partido.

Alternativa

Os fatos políticos acabam repercutindo inclusive em um momento de crise interna vivido pelo PSDB, com o desgaste das prévias. Espaço aberto para quem disputa o protagonismo da tal "terceira via".

Ciro Gomes, que busca apoio de partidos do centro para se viabilizar eleitoralmente, precisa convencer esses grupos de que é capaz crescer. 

O próprio presidente do PDT, Carlos Lupi, admitiu que o cearense precisa chegar pelo menos aos 15% de intenções de voto para tratar de apoio com outros partidos.

A dificuldade de crescer nas pesquisas em 2018 fez o ex-governador do Ceará sair com chapa pura. Na época, a senadora Kátia Abreu (TO) ocupou o posto de vice. Hoje a parlamentar é filiada ao PP.

Política é fato do momento, e Ciro, há mais de 30 anos na política partidária, sabe bem disso. No entanto, é preciso chacoalhar as estratégias para mostrar aos personagens de Brasília que pode somar.