Medo do retorno à Segundona faz sentido

Confira a coluna desta quarta-feira (4)

Imagem mostra bola de futebol
Legenda: Tom Barros comenta a importância de iniciar bem o Brasileirão.
Foto: Fernando Torres/CBF

Não estou exagerando quando antecipo o grito de alerta sobre algum retrocesso no futebol cearense. Engana-se quem calcula que o maior risco de rebaixamento acontece nas últimas rodadas. Ocorre exatamente o contrário: é nas primeiras rodadas que isso acontece. Por mais paradoxal que possa parecer, nas primeiras rodadas é que aparecem os sinais de fragilidade. Como está no começo do campeonato, a tendência é imaginar que haverá tempo para corrigir. Aí, deixam empurrar com a barriga. E, nesse empurrar, as rodadas acontecem num ritmo acelerado. Resultado: quando os dirigentes percebem, chega a hora de mandar buscar o técnico Lisca, especialista em evitar o rebaixamento. Nem sempre dá tempo de fazer as correções de última hora. Se os senhores quiserem comprovar o que afirmo, busquem a tabela da Série A do ano passado, 2021. Vejam como foi o primeiro turno dos rebaixados. Vocês vão observar que não fizeram gordura para queimar. Foi assim com Grêmio, Bahia e Sport, que caíram juntos. Nem cito a Chapecoense porque, mambembe desde o começo, somou apenas 15 pontos em todo o certame. O medo do retrocesso existe. 

 

Exemplo 

 

Não quero assustar nem gerar pânico antecipado. Vejam o que aconteceu com o Grêmio no ano passado. Não conseguiu uma vitória sequer nas quatro primeiras rodadas. Na estreia, perdeu para o Ceará (3 x 2) no Castelão, empatou com o Flamengo em Porto Alegre (2 x 2), perdeu (0 x 1) para o Athletico-PR em Porto Alegre e perdeu para o Sport na Ilha (1 x 0) em Recife. 

 

Resultado 

 

Era o aviso de que as coisas não estavam bem. Mas os dirigentes gremistas entenderam que era o início. Portanto, haveria tempo para colocar as coisas nos devidos lugares. Quando despertaram para a realidade, não houve mais tempo. O Grêmio foi rebaixado. Não tinha gordura para queimar. Aí está o exemplo clássico de negligência. Ceará e Fortaleza que se cuidem. 

 

Gordura 

 

O Fortaleza, em 2021, fez boa gordura. Aí passou seis jogos seguidos sem vitória. Preocupou. Mesmo assim terminou o ano em quarto lugar. Os seis jogos sem vitória do Leão foram: 1 x 1 com o Santos (Castelão), 1 x 1 com o Juventudes (Caxias), 0 x 0 com o Cuiabá (Castelão), Bahia 4 x 2 (Salvador), 0 x 2 Atlético-MG (Castelão) e Inter 1 x 0 (Beira-Rio). Tem que acumular pontos no início do certame. 

 

Conclusão 

 

Os times rebaixados geralmente têm problemas no início das competições. Se demorarem a detectar o tamanho da crise, o castigo é cruel. Portanto, qualquer erro de avaliação será fatal. A percepção das dificuldades tem de ser precisa. A cobrança junto à comissão técnica, imediata. Abram os olhos. Voltar para a segundona será um desastre.