Marcelo, a paz esteja convosco!

Leia a coluna de Tom Barros

Escrito por
Tom Barros producaodiario@svm.com.br
Legenda: Marcelo Paz foi demitido do Corinthians nesta terça-feira (20) após uma sequência de 10 jogos sem vencer
Foto: Rodrigo Coca / Ag Corinthians

As turbulências no Corinthians determinaram a demissão de Marcelo Paz. Bem antes, ele e sua esposa vinham sofrendo ameaças através de mensagens nas redes sociais. O ambiente interno também não lhe era favorável. A verdade é que não conseguiu repetir lá os resultados de seus bons tempos no Fortaleza. 

Ao aceitar o convite da diretoria do Corinthians, Marcelo tinha plena consciência do enorme desafio. Sabia que a "Gaviões da Fiel", quando faz pressão, encontra eco na diretoria do clube. Qualquer insucesso em campo geraria sério problema. Aconteceu. O risco de rebaixamento comprometeu o trabalho do dirigente. 

O futebol, como a vida, está cheio de altos e baixos. De retas seguras e curvas perigosas. Ora sorrisos, ora lágrimas. Duas coisas que mais trazem problemas nos times de futebol: atrasos salariais ou no pagamento do direito de imagens aos atletas e escassez de título. É o Corinthians de hoje. 

Marcelo e sua família retornam. A experiência foi válida. Todo aprendizado, positivo ou negativo, ensina. Nos grandes clubes, as disputas internas e as vaidades também pesam nas decisões. Marcelo, a paz esteja convosco! 

Dificuldades 
 
No futebol, não é fácil ocupar um cargo de comando nos grandes times nacionais. Lembro dos percalços que o saudoso treinador, Lula Pereira, encontrou quando foi contratado pelo Flamengo. Era do Nordeste e, além disso, como ele dizia, um negro. Lula me disse que sentiu um duplo preconceito velado: por ser negro e nordestino. 

Outro caso 

O cearense, Marcelo Vilar, também sentiu a pressão contra a sua presença, quando, em 2006, assumiu o comando técnico do Palmeiras. Era um nordestino no cargo. Vilar fizera bonito ao ganhar a Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2001, pelo Roma Barueri. No Palmeiras, Vilar não conseguiu se livrar das pressões. Caiu. 

Exceção 

No Flamengo, o cearense Aristóbulo Mesquita alcançou êxito como supervisor. Antes, atuou como lateral-direito (1950 a 1952). Na década de 1970, exerceu o cargo de supervisor do Flamengo, sendo muito bem-sucedido. Tinha notável influência nas decisões da diretoria. Foi uma exceção. 

Diferente 

O alagoano Zagallo foi um vencedor como jogador e como técnico. Ele nasceu em Atalaia, Alagoas, mas, logo nos primeiros anos de vida, sua família transferiu-se para o Rio de Janeiro. Venceu como jogador e como treinador. Ocupou, sem problemas, posição de comando no futebol brasileiro. 

Injustiçado 

Em 2020, Zagallo foi eleito o segundo melhor técnico do país, escolha feita Federação Internacional de História e Estatística do Futebol. O primeiro foi Telê Santana. Injustiça! Zagallo, campeão do mundo como técnico da melhor seleção de todos os tempos em 1970, perdeu para Telê, que não ganhou nada no comando da Canarinho. 

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