Clássico-Rei cearense na tela do Cine São Luiz

Leia a coluna de Tom Barros

Escrito por
Tom Barros producaodiario@svm.com.br
Legenda: Ceará e Fortaleza durante Clássico-Rei.
Foto: Ismael Soares/SVM

O espetáculo grandioso, mais que centenário, começou modesto. Teve como primeiro cenário o Campo do Prado, onde hoje está o IFCE, na Avenida 13 de Maio. Em 1941, foi inaugurado o PV, uma praça esportiva também modesta, mas com melhores instalações. Finalmente, o Castelão, "padrão FIFA". 

Agora, quando da realização do 36º Cine Ceará, será apresentado o longa-metragem "Clássico-Rei", documentário que traz o passado ao presente. E revela o presente apoteótico de cada edição. Uma reconstituição feita pela sensibilidade de Joe Pimentel e Glauber Filho, sob roteiro e direção geral de Wolney Oliveira. 

O longa-metragem, "Clássico-Rei", visitou sentimentos e recordações, lembranças e relembranças de gente que edificou uma história de triunfos e fracassos, sorrisos e lágrimas, êxitos e frustrações. Ídolos imortais e ídolos passageiros. Mecenas e homens do povo, todos em torno de uma só paixão. 

O "Clássico-Rei" transfere-se para a tela do Cineteatro São Luiz. Ganha importância superior porque incluído entre os filmes que compõem uma das mais conceituadas mostras cinematográficas do Brasil. Você, torcedor, faz parte deste clássico. 

Data 

Amantes do "Clássico-Rei" na expectativa. A exibição será no dia 10 de novembro, na sessão das 19h, no Cineteatro São Luiz, após a entrega do troféu Eusélio Oliveira à atriz Isis Valverde. O longa-metragem "Clássico-Rei" começou a ser produzido em 2022, marcando os 103 anos do primeiro clássico. 

70 anos 

Acompanho o Clássico-Rei desde 1956. Eu tinha nove anos de idade. O PV, ainda com alambrados e arquibancadas de madeira. Apenas uma parte de concreto. Duas cabines de rádio. Mas, na minha visão de criança, para mim aquilo era o Maracanã. Foi aí que elegi meu primeiro ídolo: Ivan Roriz, goleiro do Ceará. 

Narrações 

Quis o destino que eu, em 1965, apenas nove anos depois de ter visto o primeiro clássico, passasse a integrar a equipe esportiva da Rádio Uirapuru. Isso me permitiu contato direto com os maiores ídolos do Clássico-Rei da época. O clássico ganhou uma outra dimensão porque passei a vê-lo no sentido profissional, narrando futebol. 

Ídolos 

No espaço de uma coluna, não poderia colocar a lista de tantos ídolos que vi nesses meus 70 anos de vivência no Clássico-Rei. Cito alguns com os quais tive maior contato: Gildo, Alexandre Nepomuceno, Zé Paulo, Pedrinho Simões, Moésio, Mozart, Croinha, Haroldo Castelo Branco... 

Memória afetiva 

O Cine São Luiz, local da exibição do "Clássico Rei", foi inaugurado em 1958. Não assisti ao primeiro filme, "Anastácia, a Princesa Esquecida", porque impróprio para a minha idade (11 anos). Mas assisti ao segundo filme: "Marcelino Pão e Vinho", com Pablito Calvo. O mundo era muito melhor. Não havia o ódio de hoje. Que saudade! 

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