Casca do coco vai gerar gás metano, anuncia Marquise Ambiental

Em parceria com a Embrapa, projeto envolverá também os barraqueiros das praias cearenses

Escrito por
Egídio Serpa egdio.serpa@svm.com.br
Legenda: Hugo Nery (C) fala para agropecuaristas cearenses sob as vistas de Tom Prado (E) e Cristiano Maia (D). Tema: economia sustentável
Foto: Egídio Serpa
Um oferecimento de:

Uma boa notícia para os produtores cearenses de coco e, também, para os donos de barracas de praia que vendem essa maravilhosa e saborosa fruta ao longo do extenso e belo litoral do Ceará: a Marquise Ambiental – empresa dedicada não só à coleta, transporte, destinação, tratamento e aproveitamento industrial dos resíduos sólidos de várias cidades brasileiras, incluindo São Paulo e Fortaleza – está desenvolvendo com Embrapa Agroindústria Tropical, com sede nesta capital, um projeto para o aproveitamento total da casca do coco.  

Hugo Nery, presidente da empresa, que integra o Grupo Marquise, disse a 32 empresários cearenses do agro, com os quais se reuniu na última segunda-feira, que o objetivo do projeto é transformar a casca do coco num poderoso fertilizante para a jardinagem e em matéria prima para a produção de gás metano. Para isso, sua empresa já vem tratando diretamente com os barraqueiros, transmitindo-lhes a informação de que, "muito brevemente, eles mesmos executarão a primeira parte do projeto, que é a trituração da casca do coco, e para isto disporão de uma maquininha que fará essa fragmentação". 

Presente à reunião, a empresária Rita Grangeiro, dona da Fazenda Grangeiro, que produz coco verde o ano todo no litoral de Paracuru, considerou "uma boa nova" o anúncio feito por Hugo Nery. Ela disse que, "finalmente, vamos alcançar o último item que faltava para fazer da cultura do coco uma importante atividade econômica 100% sustentável".  

Por sua vez, os irmãos Fernando e João Franco, que têm fazenda de criação de suínos no Maciço de Baturité, mais precisamente na geografia do município de Redenção, indagaram ao presidente da Marquise Ambiental se há algum projeto para o aproveitamento do esterco de suínos. Nery respondeu de pronto:  

"Claro que existe, e o projeto também aproveitará o esterco de galinhas e frangos. Estamos desenvolvendo essa ideia e muito brevemente vocês terão boas notícias".  

Hugo Nery explicou que sua empresa ingressou em uma nova área do meio ambiente, para muito além da limpeza urbana, sendo hoje uma relevante aliada do esforço universal de tornar o planeta mais limpo e sustentável, uma tarefa difícil aqui e no resto do mundo. E citou "um exemplo que deveria ser imitado": os feirantes do Mercado São Sebastião, em Fortaleza, orientados pelos técnicos da Marquise Ambiental, estão selecionando os resíduos, separando os orgânicos (aproveitados para a produção de metano) dos resíduos secos (plástico, papelão, vidros e metais), que são reutilizáveis.  

Ele esclareceu um ponto que suscitava dúvidas entre os empresários do agro, ao informar que a produção do gás metano, no Aterro Sanitário de Caucaia, administrado pela Marquise Ambiental, é feita no modo totalmente sustentável – "o gás metano é inodoro, e na nossa usina trabalham várias pessoas que residem na comunidade ao seu redor". Ele disse que a produção do metano naquele aterro mantém-se em crescimento à medida que aumenta a presença dos resíduos orgânicos. E mais: o gás metano produzido ali é injetado na rede da Cegás, que o distribui.  

No estado do Ceará, 60% dos seus municípios ainda mantêm lixões, que são monturos localizados ao redor de suas sedes, revelou o presidente da Marquise Ambiental, que é a terceira maior empresa do país na gestão de resíduos. Ele disse que, hoje, a gestão de resíduos (cujo nome antigo era lixo) deve ser encarada como uma atividade "menos ambiental e mais sustentavelmente econômica".  

BRASIL NA FRENTE DOS EUA EM FIBRA ÓTICA 

Acionista majoritário da Brisanet, maior empresa de telecom do Nordeste, com ações negociadas na Bolsa de Valores brasileira B3, o empresário José Roberto Nogueira revela: "O Brasil é hoje muito mais avançado em fibra ótica do que o são os Estados Unidos", e citou o exemplo do interior nordestino, cujas 341 cidades atendidas pela Brisanet dispõem desse luxo e ainda, da tecnologia 5G nos seus telefones móveis (os celulares), beneficiando 16.4 milhões de pessoas.  

Outra revelação de José Roberto Nogueira: a Brisanet tem, neste momento, 291 mini data centers que garantem a alta qualidade dos serviços que a empresa oferece aos seus clientes, nas cidades e na zona rural. Estas informações e números ele transmitiu a um grupo de empresários, durante reunião testemunhada por esta coluna. 

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