Dia da árvore para uma Humanidade desarvorada

Também somos livres para contribuir com seu restabelecimento, através de ações simples, óbvias e concretas

Escrito por Luiz Carlos Diógenes de Oliveira producaodiario@svm.com.br
20 de Setembro de 2026 - 06:00
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Legenda: Escritor e pesquisador

Acordaremos Dia da Árvore, no calendário nacional, em 21 de setembro. Anuncia-se a Primavera em uma desalentada esperança de realidade outonal, denunciando iminentes tragédias socioambientais. Dias escaldantes e noites de pesadelos já assombram a razão iluminada e ensombram o angustiado coração humano. Os ipês florescem na nossa tricentenária Fortaleza. Já-já suas sementes rastejarão no asfalto esmolando um pedacinho de terra. Quem irá colhê-las? Quem irá plantá-las? Vejamos, antes, a urgência desta ação de consciência ético-ambiental e cidadania ecológica profundas.  

Resultados publicizados de pesquisas científicas já se espraiam pelo mundo a revelar diagnósticos assombrosos. Constata-se que gerações mais jovens estão envelhecendo biologicamente mais rápido que a idade cronológica. Ou seja, as células no corpo humano atropelaram o tempo natural e cronológico do envelhecimento. 

Uma outra pesquisa, também já difusa, aponta que quem reside em áreas com 30% de cobertura verde por um raio de 5 km apresenta, em média, idade biológica bem inferior em relação a quem vive em região sem esta cobertura. A ciência, em escala celular, vem confirmar o que a cosmologia existencialista dos povos originários aponta desde sempre: somos fragmentos da Natureza, vivendo a nos balançar em sua rede ecossistêmica de sustentabilidade dinâmica. Podemos tecê-la em reciprocidade com todos os outros viventes, ou podemos corroê-la, com nossa ignorância ecocida. 

Também somos livres para contribuir com seu restabelecimento, através de ações simples, óbvias e concretas. A Fundação Sintaf, em seu escopo de pesquisa, ensino e cultura, promove estas ações, mormente em datas emblemáticas como 5 de junho e agora 21 de setembro. 

A sede da AABB Fortaleza, esteticamente será afetada em sua paisagem frontal, adotando ipês no simbólico Dia da Árvore. Lá estaremos pedindo permissão à Mãe Terra para acolhê-los em seu fértil ventre. A campanha “Adote um Ipê” será plantada, enraizada no ensinamento de obviedade solar e urgente: tudo o que fizermos, ou não, à Pacha Mama, estaremos fazendo a nós mesmos. Árvores a mancheias para uma Humanidade desarvorada. Feliz Dia da Árvore! Ou não? 

Edição do Dia