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Tendência é consumidor exigir vegetais embalados

Mudança deve ocorrer em aproximadamente cinco anos, seguindo o comportamento que já ocorre em outros países

Escrito por
Egídio Serpa* - Colunista producaodiario@svm.com.br
Legenda: Em alguns estabelecimentos, já é possível encontrar alimentos como tomates, cenouras, pimentões, maçãs e peras embalados separadamente

Orlando, Flórida (EUA). Dentro de mais cinco anos, o consumidor brasileiro de frutas, legumes e verduras só comprará nos supermercados os vegetais que estiverem embalados. Esta é a tendência mundial que o varejo no Brasil começa a seguir - é só prestar atenção e observar que pimentões, cenouras, tomates, alfaces, maçãs e peras, para citar alguns, já são apresentados e vendidos em diferentes embalagens. Mas não será fácil mudar a cultura tátil do consumidor.

Trata-se de mais uma consequência das sustentáveis práticas agrícolas que chegam aos supermercados. Por que a tendência é embalar as FLV (frutas, legumes e verduras)? Edson Trebeschi, maior produtor brasileiro de tomates, responde: "Porque é inadmissível, do ponto de vista da higiene, que centenas de pessoas, antes de escolher o que comprar, passem suas mãos sobre vegetais desembalados, como acontece hoje no Brasil e também nos Estados Unidos e na Europa. Mas isso está mudando rapidamente no Primeiro Mundo e mudará no Brasil".

Hoje, acompanhando essa tendência, a indústria brasileira já produz novos tipos de embalagens para os diferentes produtos da hortifruticultura. Ao mesmo tempo, nas fazendas de produção - inclusive no Brasil e no Ceará - os produtores, utilizando a última tecnologia da biogenética, já produzem FLV homogêneos na cor, no tamanho e no sabor, facilitando sua embalagem, melhorando sua apresentação nas gôndolas, evitando o contato da mão humana e reduzindo todos os custos.

Na Cearosa Vegetais, com fazenda de produção em São Benedito, na serra da Ibiapaba, os pimentões coloridos produzidos já saem de lá para os supermercados "devidamente embalados para evitar que as mãos do consumidor possam infectar o produto", como explica o gaúcho Paulo Selbach, dono da empresa. Seu colega Edson Trebeschi, da Trebeschi Tomates, confirma: "Nossos produtos saem embalados de nossas fazendas diretamente para os supermercados".

Mas tanto Selbach quanto Trebeschi revelam que, em alguns supermercados "inacreditavelmente os gerentes abrem as embalagens e espalham os produtos, permitindo o contato das mãos do consumidor, o que pode causar ação bacteriana".

Além de preservar vegetais desse contato anti-higiênico, a embalagem prorroga sua durabilidade. Quando produtos folhosos - como alface, rúcula, repolho, couve-flor, coentro - são manuseados por dezenas de mãos, cresce a possibilidade de transmissão de fungos e bactérias.

Bom, bonito e barato

Mesmo com essa tendência já observada nos supermercados, onde os vegetais embalados assumem posição de destaque, as feiras livres - como as que existem em Fortaleza, Paris ou Nova Iorque - continuarão existindo, pois nelas há o que a linguagem popular costuma chamar de bom, bonito, barato e gostoso. Mas, mesmo em feiras livres, é possível encontrar - bem embalados - frutas, legumes e verduras da melhor qualidade.

*O colunista viajou a convite da Produce Marketing Association (PMA)

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