Petrobras reajusta gás de cozinha e industrial

Sincegás avalia que avanços de preço são prejudiciais tanto para revendedores como para consumidores

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
06 de Setembro de 2017 - 01:00

Fortaleza/Rio. A Petrobras aumenta a partir de hoje (6) o preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) da indústria e do comércio em 2,5%, em média, de acordo com informe da empresa, divulgado ontem (5). No caso do GLP de consumo residencial, em botijões de até 13 quilos (kg), o aumento do gás de cozinha será de 12,2%, em média, e vigora a partir de 0h de hoje.

O reajuste para o consumidor "oscilará entre 11,3% e 13,2%, de acordo com o polo de suprimento", esclarece, em nota, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás). Em relação ao produto em embalagens acima de 13 kg, para uso industrial e comercial, a alta varia entre 2,4% e 2,6%.

O presidente do Sindicato dos Revendedores de Gás do Estado do Ceará (Sincegás), Luciano Holanda, avalia que o reajuste é injusto tanto para o setor como para o consumidor final.

"Não é justo nós pagarmos a conta do prejuízo que a Petrobras teve. Quem vem pagando essa conta é o consumidor. Este já é o terceiro aumento em menos de quatro meses da Petrobras", recorda ele.

O presidente do Sincegás destaca que as altas promovidas pela estatal se contrapõem à importância do gás para a população. "O que é que está subindo neste País mais do que combustível? Nada. O gás entra em 96% das residências deste País. Nem energia elétrica tem esse percentual", argumenta Holanda.

Justificativa

O Grupo Executivo de Mercado e Preços (Gemp) da Petrobras levou em consideração nos reajustes de preços do produto para uso residencial "estoques muito baixos e eventos extraordinários", destacando os impactos do furacão Harvey.

"A região de Houston (Texas) é a maior exportadora mundial de GLP, atendendo a mercados importadores como Europa e Extremo Oriente. Com a chegada do furacão Harvey na semana passada, tanto a produção quanto os terminais do Golfo americano foram impactados e permanecem fora de operação. Assim, a menor disponibilidade de GLP provocou aumento de preço nos mercados consumidores, incluindo o Brasil", argumentou a estatal, em nota.

"Além disso, os preços já vinham sendo afetados por estoques em níveis próximos do mínimo observado nos últimos cinco anos nos Estados Unidos. Avaliações de mercado chegaram a apontar que o estoque não atingiria níveis considerados confortáveis para fazer frente ao período de inverno no Hemisfério Norte", acrescenta a Petrobras.

Repasse ao consumidor

O ajuste anunciado foi aplicado sobre os preços praticados sem incidência de tributos. Caso as altas sejam integralmente repassadas ao consumidor, calcula-se, segundo especialistas, que o preço do botijão de até 13 kg poderá ser reajustado em até 12%, em média, ou cerca de R$ 7,00. O valor exato depende dos custos operacionais, administrativos e logísticos das distribuidoras e revendedores.

Vale dizer, também, que neste reajuste e repasse de preços ao consumidor, segundo informações das distribuidoras, estarão contidos os efeitos da convenção coletiva dos trabalhadores do setor de gás, que ocorre neste mês de setembro.

Paridade

A Petrobras diz que a correção aplicada, neste momento, não repassa integralmente a variação de preços do mercado internacional. Com isso, o Sindigás calcula que o preço do produto destinado a embalagens até 13 kg ficará 16,56% abaixo da paridade de importação, o que inibe investimentos privados em infraestrutura no setor de abastecimento, segundo a entidade.

A Petrobras informou ainda que o Grupo Executivo de Mercado e Preços irá realizar uma nova avaliação dos preços no dia 21 deste mês, com possibilidade de subir ou baixar os valores, tendo em vista o desempenho do mercado internacional.

Gás industrial

O Sindigás salienta, em nota, que o aumento do Gás Liquefeito de Petróleo para embalagens voltadas ao comércio e à indústria preocupa, "pois afasta ainda mais o preço interno dos valores praticados no mercado internacional, impactando justamente setores que precisam reduzir custos. Com o aumento de preços, o Sindigás calcula que o valor do produto destinado a embalagens maiores que 13 quilos ficará 39,94% acima da paridade de importação".