Brasília. Com a alta de 1,24% do IPCA-15 de março, analistas do mercado financeiro mexeram novamente em suas projeções para a inflação para cima. A mediana das previsões para o IPCA de 2015 passou de uma alta de 7,93% para 8,12%. Há um mês, a mediana das estimativas para o indicador estava em 7,33%. Esta é a 12ª semana consecutiva em que há alta das previsões para o IPCA deste ano.
A expectativa de que o BC não entregará, portanto, a inflação de 2015 sem estourar o teto de 6,50% da meta também pode ser vista no Top 5 de médio prazo, que é o grupo dos economistas que mais acertam as previsões. Para esses profissionais, a mediana para o IPCA deste ano segue acima da banda superior da meta e permaneceu em 8,33% de uma semana para outra. Quatro semanas atrás, estava em 7,12%.
Para o final de 2016, a mediana das projeções para o IPCA foi levemente ampliada de 5,60% para 5,61%. Já no Top 5, a projeção para a inflação no final do ano que vem que estava em 5,61% subiu para 5,64% - um mês antes estava em 5,65%. As expectativas para a inflação suavizada 12 meses à frente seguem elevadas, mas diminuíram. Nessa divulgação da Focus, essa projeção passou de 6,58% para 6,49% - um mês antes estava em 6,55%.
Recuperação do PIB
A expectativa sobre o crescimento em 2015 diminuiu. Espera-se que o PIB se retraia em 0,83% em 2015. Há uma semana, esperava-se encolhimento de 0,78% no ano. A expectativa de recuperação para 2016 também caiu de 1,30% na semana passada para 1,20% nesta semana.
Apesar da perspectiva de inflação, a expectativa sobre a taxa Selic, uma das principais ferramentas do governo para controlar a inflação, manteve-se a mesma da semana passada, em 13% para o fim do ano. Para 2016, espera-se que a Selic feche o ano em 11,83%.
A taxa de câmbio, que chegou a bater R$ 3,30 na semana passada, deve fechar o ano em R$ 3,15 segundo os economistas. Há uma semana, esperava-se que fechasse em R$ 3,06. Para 2016, a expectativa é que feche em R$ 3,20 -há uma semana, a previsão era de que fechasse em R$ 3,11.
Opinião do especialista
Estimativa do pessimismo é a única que cresce
Essas novas projeções para a inflação significam que o pessimismo está crescente, mesmo com os pacotes anunciados pelo governo - que ainda não conseguiram receber a expectativa de que vai dar certo. O governo não está conseguindo transmitir a confiabilidade de que vai colocar a economia nos eixos, e a cada semana, a previsão de inflação sobe e a de queda do PIB (Produto Interno Bruto), aumenta. Tem ainda o aspecto político: a presidente fraca, manifestações do povo contra o governo. Isso faz com que os empresários acreditem que o ano vai ser ruim e os analistas ratifiquem esse pessimismo. O Banco Central vai ter que agir mais fortemente enquanto o mercado não reage, e o governo, intensificar os cortes de orçamento, porque a dosagem foi fraca.
Henrique Marinho
Economista